Mulheres de soldados russos exigem saber onde estão os maridos

Dezenas de mulheres de soldados russos tentaram manifestar-se hoje em protesto pela falta de explicações sobre o paradeiro dos familiares, numa altura em que se multiplicam acusações sobre uma intervenção russa na Ucrânia.

As mulheres, a maior parte com pouco mais de 20 anos de idade, e muitas acompanhadas pelos filhos, juntaram-se hoje perto da base militar da 98ª Divisão Aerotransportada do Regimento 331, em Krostroma, 330 quilómetros a norte de Moscovo.

As autoridades russas impediram a manifestação, disse à France Press, Valeria Solokova, mulher de um dos soldados do regimento.

Na companhia de 350 camaradas da mesma base, além de 50 outros soldados baseados em Ivanovo, o marido de Valeria Solokova foi enviado para participar em exercícios militares para a fronteira entre a Rússia e a Ucrânia mas até ao momento ainda não deu "qualquer sinal de vida" à família.

Na segunda-feira, quinze militares russos regressaram feridos ao quartel a norte de Moscovo disse a mesma mulher acrescentando que o nome do marido não consta da lista de feridos ou de mortos.

Nenhuma informação foi fornecida pelos soldados que saíram de Kostroma sendo que os comandantes do regimento recusam prestar depoimentos sobre a eventualidade de os soldados se encontrarem em combate na Ucrânia.

"A única coisa que nos dizem é que eles não estão na Rússia", disse ainda Sokolova.

De acordo com a presidente da Comissão das Mães dos Soldados Russos, Valentina Melnikova, citada hoje pela cadeia de televisão Dojd, conotada com a oposição ao presidente Vladimir Putin, cerca de 15 mil militares russos estão a combater na Ucrânia junto aos separatistas pró-russos.

A Rússia desmente as afirmações de Kiev e dos países ocidentais de que as forças de Moscovo estão a combater no leste da Ucrânia.

De acordo com a France Press, órgãos de comunicação independentes russos noticiaram a realização de funerais secretos de paraquedistas russos que foram mortos na Ucrânia e que foram sepultados recentemente no norte da Rússia.

"Estas informações só podem ser confirmadas pelas autoridades competentes", declarou o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, em declarações ao agência oficial Itar-Tass sobre os alegados funerais secretos.

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