MI5 tentou recrutar suspeito do ataque a soldado

Um amigo do principal suspeito do assassínio de um soldado em Londres foi detido depois de uma entrevista à BBC em que afirmou que os serviços secretos britânicos tentaram recrutar o jovem radical, noticiou hoje a imprensa britânica.

Abu Nusaybah, que se identificou como amigo de infância de Michael Adebolajo, foi detido pela polícia antiterrorista após abandonar os estúdios da BBC, na sexta-feira à noite, segundo a própria televisão britânica.

A polícia confirmou ter detido um homem de 31 anos por suspeita de ter "ordenado ou preparado (...) atos terroristas".

Fonte próxima do inquérito citada pela agência France Presse disse que a detenção não está relacionada com a investigação ao brutal ataque ao soldado Lee Rigby, 25 anos, atropelado e degolado com um cutelo e uma faca em plena rua, no bairro de Woolwich, sudeste de Londres, crime pelo qual foram detidos Michael Adebolajo e Michael Adebowale.

Na entrevista, Nusaybah que disse ter em tempos apoiado a aplicação da lei islâmica no Reino Unido, mas considerar o ataque ao soldado injustificado, afirmou que Michael Adebolajo foi abordado várias vezes pelo MI5 depois de ter sido detido no Quénia.

Segundo Nusaybah, Adebolajo foi para aquele país para estudar e, ao regressar a Londres, os serviços secretos internos, MI5, "perguntaram-lhe se não queria trabalhar para eles", o que Adebolajo recusou.

Este testemunho contribuiu para aumentar a pressão sobre os serviços secretos e a polícia britânica, que conheciam os dois suspeitos antes do ataque, mas consideraram que não representavam uma ameaça suficientemente grave para justificar a sua detenção.

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, prometeu na quinta-feira a abertura de um inquérito para determinar se houve falhas no processo.

Especialistas têm sublinhado, no entanto, que as ações deste tipo, em que um indivíduo sai para rua de faca na mão para matar, são extremamente difíceis de prever.

Adebolajo, 28 anos, e Adebowale, 22, feridos durante a detenção, continuavam hoje hospitalizados sob vigilância policial. A natureza e gravidade dos ferimentos que sofreram não foi revelada, mas segundo a imprensa britânica, os dois continuam a não estar em condições de ser interrogados.

Segundo testemunhos de amigos e familiares, os dois suspeitos eram ambos de origem nigeriana e cristã, cresceram no Reino Unido em famílias da classe média e converteram-se ao Islão no final da adolescência. As famílias de ambos, preocupadas com a sua radicalização, tentaram intervir, sem êxito.

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