Matteo Renzi diz que UE não é madrasta para Itália

O novo líder do governo italiano afirmou hoje que a "tradição europeia e europeísta representam a melhor parte de Itália" e que manter as contas públicas em ordem é uma obrigação por respeito às gerações futuras.

No discurso, no Senado, de apresentação do seu programa de governo, Matteo Renzi fez um forte apelo a favor da União Europeia, que, afirmou, não é madrasta para Itália.

"A tradição europeia e europeísta representam a melhor parte de Itália e a certeza de um futuro", disse, quando o país se prepara para assumir, a 1 de julho, a presidência rotativa da União Europeia durante seis meses.

"Não são a Angela Merkel ou o Mario Draghi que nos dizem que temos de ter as contas públicas em ordem. Devemos nós fazê-lo por respeito pelos nossos filhos, por aqueles que virão depois de nós", realçou, numa altura em que o país tem uma dívida superior a 130% do PIB. "A Itália deve tornar-se uma terra de oportunidades", acrescentou.

A recuperação económica tem-se revelado um ponto central do discurso de Matteo Renzi, que tomou posse no sábado e que anunciou o desejo de que o seu governo seja um ponto de viragem para o país.

"O nosso primeiro compromisso é pagar todas as dívidas da administração pública" às empresas privadas, no valor de dezenas de milhares de milhões de euros, disse. "Nós precisamos de uma mudança radical das políticas económicas e de medidas concretas", acrescentou, prometendo uma redução de dois dígitos na carga tributária com medidas sérias, irreversíveis e que assegurem resultados imediatos já em 2014.

"Se perdermos este desafio, a culpa será toda minha. Acabou o tempo dos álibis", disse Renzi aos senadores, depois de defender que não há desculpas para não atacar a recessão da economia italiana.

"Esta é uma Itália de possibilidades, uma Itália de mudança fundamental", disse, sublinhando a "urgência" da implementação de reformas num "país enferrujado, paralisado pela ansiedade".

O discurso do novo chefe de governo italiano, 39 anos, durou uma hora, foi, em grande parte, improvisado, e foi pontuado por aplausos dos membros do Partido Democrático mas também por vaias da oposição.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG