Marine le Pen promete grupo "bonito e bem constituído"

A líder da Frente Nacional procura ganhar peso político, formando um grupo de extrema direita, no Parlamento Europeu, depois da vitória nas europeias de domingo, em França. Mas, até agora conseguiu reunir apenas cinco nacionalidades, com representantes de partidos com a mesma ideologia. Faltam-lhe duas.

Esta tarde, no Parlamento Europeu, em Bruxelas, Marine Le Pen apresentou-se numa conferência de imprensa ao lado do líder do Partido da Liberdade, da Holanda, Geert Wilders e de responsáveis do Partido da Liberdade da Áustria, da Liga Norte de Italia e do partido da Flandres Vlaams Belang.

Os cinco partidos juntos representam 38 assentos parlamentares e precisariam de mais dois partidos para alcançarem o mínimo de sete, que permitiriam formar um grupo político, dando mais peso às intervenções de Marine Le Pen.

A líder da Frente Nacional disse acreditar que "em três semanas" terá conseguido formar o grupo de extrema direita no Parlamento Europeu, já que "há inúmeras configurações possíveis".

"Vejam só as caras sorridentes que têm diante de voz e entendam que não temos qualquer inquietação sobre a constituição deste grupo. Daqui a três semanas vamos apresentar-vos um grupo bonito e bem constituído", afirmou a francesa.

A filha do fundador da Frente Nacional diz-se a favor dos interesses nacionais da França, considerando que outros Estados devem fazer o mesmo para poder "ser livres". "Eu sou francesa. Defendo o direito de cada uma das nações a ser livre. De não estar alinhada com qualquer outro país. A não receber ordens de outro país", afirmou, em Bruxelas.

Porém, Le Pen tem sido acusada de ser uma representante de Moscovo no Parlamento Europeu. A estas acusações, a representante da extrema direita responde que se trata de uma "diabolização".

"Isso é uma última tentativa de diabolilização a que estamos habituados. Defendemo-nos com muita calma e paciência", afirmou, rejeitando qualquer proximidade com Moscovo.

Porém, a francesa criticou o comportamento "estúpido" de Bruxelas, pela forma como está a lidar com a Rússia, na sequência da crise da Ucrânia. Para a líder da Frente Nacional, a "estupidez" europeia já está a ter "consequências".

"A consequência da estupidez do comportamento da União Europeia de hostilidade em relação à Rússia é juntar esta à China, com a qual acaba de celebrar um contrato gigantesco e histórico, se não estou em erro, de 300 mil milhões de euros", afirmou a francesa, para quem a Europa está a fazer "um erro geopolítico [e] um erro geoestratégico enorme".

Para a filha de Jean Marie Le Pen "é estúpido, da parte da União Europeia de entrar numa guerra fria com a Rússia".

"Nada o justifica. Penso que deve haver relações equilibradas com todos os grandes países. E, a Rússia é incontestavelmente um grande país. Com o qual, a França - eu não falo pelos outros - terá todo o interesse em ter e de desenvolver relações comerciais e relações estratégicas", defendeu a francesa.

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