Malala dedica prémio aos heróis "sem voz" do Paquistão

A ativista paquistanesa de 16 anos recebeu hoje das mãos de Martin Schulz o prémio Sakharov para a liberdade de pensamento do Parlamento Europeu.

De lenço cor-de-laranja na cabeça, Malala Yousafzai começou o discurso por dedicar o prémio aos heróis sem voz do Paquistão.

"É uma para mim estar neste evento. O prémio Sakharov encoraja-me a prosseguir a minha causa. E honra-me olhar para a lista de anteriores vencedores, Mandela, Suu Kyi ou Kofi Annan.

Dedico este prémio aos heróis sem voz no Paquistão e a quem luta no mundo pelos seus direitos humanos mais básicos", afirmou Malala. Um ano depois de ter sido baleada pelos talibãs na carrinha que a levava a casa depois da escola, a paquistanesa teve casa cheia em Estrasburgo para a ver receber o prémio Sakharov.

Quase escondida pela tribuna, Malala deixou ainda um apelos à União Europeia? "Espero que a união europeia olhe para os países onde a liberdade de pensamento não existe e a liberdade de expressão élimitada. Há crianças sem água para beber nem comida. E lutam pelo direto a uma educação".

Interrompida pelos aplausos deixou ainda o apelo: "Precisamos de uma mudança na nossa ideologia. Os países poderosos não devem ser julgados pelos seus soldados e marinha, devíamos ver quem tem melhor educação, melhor defende os direitos dos seus cidadãos, dá um Estado igual para homens e mulheres. Uma potência com pessoas educadas é a verdadeira superpotência, não o que tem mais soldados e armas.

E rematou: "Vamos mudar o nosso conceito. Lanço um apelo à União Europeia que se vire para a Ásia, que olhe para o Paquistão. Como ser humano, penso que para a sobrevivência de todos, os mais fortes devem lutar pela sobrevivência dos mais fracos. Se deixa milhões para trás nem os mais fortes vão sobreviver. Devemos ajudar os 57 milhões de crianças que esperam por nós. Estas crianças não querem um iPhone, uma playstation ou mesmo chocolates. Só querem um livro e um caneta."

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