Lituânia vai ser governada por coligação de esquerda

O Partido do Trabalho, do milionário de origem russa Victor Uspaskich, e o Partido Social-Democrata, de Algirdas Butkevicius, foram as duas formações mais votadas nas legislativas de domingo e estão em boas condições para formarem um Governo de coligação em Vilnius. Os dois partidos tiveram, respetivamente, 21,34% e 19,08%. Necessitam, no entanto, de uma terceira força política para terem a maioria.

Os lituanos sancionaram o Governo de centro-direita do primeiro-ministro cessante, o conservador Andrius Kubilius, cujo partido só obteve 13,83% dos votos. O seu parceiro governamental, o Movimento Liberal, recolheu 7,48%.

Os eleitores penalizaram o Governo cessante pela política de austeridade e aumento de impostos que este seguiu desde 2008.

Os populistas de direita do Ordem e Justiça, do ex-presidente Roland Paksas, alcançaram 7,88% e são dados como potenciais parceiros de coligação dos partidos de esquerda, com quem votaram muitas vezes enquanto oposição. Paksas foi afastado do cargo em 2004 sob acusação de ter violado a Constituição.

O Parlamento da Lituânia tem 141 membros, sendo 71 eleitos por círculos uninominais e 70 por representação proporcional. A segunda volta decorre a 28 de outubro, esperando-se que os partidos até agora na oposição consolidem os seus resultados.

Uspaskich, Butkevicius e Paksas mantiveram contactos hoje de manhã, tendo sido acordada a criação de um grupo de trabalho para discutir questões relacionadas com o futuro Executivo. Mas "não foi abordada a questão do nome do primeiro-minsitro nem dos restantes membros do Governo; para isso, vamos esperar pelos resultados da segunda volta", declarou Uspaskich no final do encontro que decorreu num hotel de Vilnius.

Em paralelo, os lituanos votaram num referendo consultivo sobre a construção de uma nova central nuclear para substituir a de Ignalina, encerrada em 2009, tendo-se pronunciado maioritariamente contra o projecto.

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