Ligação "mais provável" entre surtos está em lote egípcio

A Agência Europeia de Segurança Alimentar (EFSA) anunciou hoje que um dos lotes de sementes de feno-grego importadas do Egipto em 2009 é a ligação "mais provável" entre os surtos da bactéria E. Coli na Alemanha e em França.

A agência disse que "podem estar implicados outros lotes de feno-grego importados do Egito no período 2009-2010", de acordo com um relatório da EFSA hoje publicado. A conclusão pertence ao grupo de trabalho especial criado pela agência para detetar a origem dos surtos infeciosos.A EFSA pediu à Comissão Europeia que aplique todas as medidas necessárias para evitar novas contaminações. A agência aconselhou que todos os Estados membros que receberam o lote suspeito sejam contactados pelas autoridades europeias. Pediu também aos cidadãos que não cultivem rebentos para consumo próprio, nem comam rebentos ou sementes germinadas sem estarem cozinhadas."A investigação da EFSA concluíu que um lote de sementes de feno-grego importado do Egito é a ligação mais provável entre as duas epidemias" na Alemanha e em França, anunciou a agência, com sede em Parma (Itália), num relatório publicado no seu "site" na Internet.O feno-grego é uma planta de folhas ovais, parecida com o trevo. As sementes são usadas na alimentação por serem muito ricas em fósforo e magnésio, nomeadamente. Pode ser usado como fertilizante na agricultura biológica.O lote suspeito, de 15 toneladas, foi importado em 2009 pela Alemanha e redistribuído para outros países.Os surtos da bactéria E. Coli enterohemorrágica (ECEH) começaram em maio, na Alemanha, e em junho, em França.A agência lembrou que, até ao momento, foram registados 48 mortos na Alemanha e um na Suécia por causa da bactéria, responsável por diarreias severas e pelo síndrome urémico hemolítico (HUS). Ao todo, foram registados 4.178 casos em países da União Europeia, Noruega e Suíça.A EFSA assinalou também que os resultados negativos dos testes microbiológicas realizados nas sementes não devem ser interpretados como uma prova de que um lote não está contaminado.Referiu que não deve ser excluída uma "contaminação cruzada" por serem vendidas muitas sementes para produzir rebentos misturando várias espécies.A 30 de junho, o sistema de alerta rápido de alimentos da UE advertiu os Estados membros de que a origem do surto de E. Coli podia estar em sementes importadas do Egito, na sequência da publicação de um primeiro relatório da EFSA sobre a causa da infeção.As autoridades europeias indicaram que as sementes entraram no mercado comunitário através da Itália, sendo daí enviadas para Espanha, Alemanha, França, Reino Unido, Holanda e Áustria.Na passada sexta-feira, o Ministério da Agricultura egípcio recusou que as sementes de feno-grego exportadas para a Europa tenham estado na origem da infeção, garantindo não ter sido demonstrada a presença da bactéria E. Coli no Egito, já que não foi registado qualquer caso no país.Peritos dos Estados membros da UE reuniram-se hoje, em Bruxelas, para discutir as medidas a tomar com base nas recomendações da EFSA, não excluindo a retirada de venda, disse fonte europeia à agência noticiosa francesa AFP.

Outras Notícias

Outros conteúdos GMG