Líder da igreja anglicana apoia uma "taxa Robin Hood"

O líder da igreja anglicana, Rowan Williams, apoiou hoje a introdução de um imposto sobre as transacções financeiras, mostrando simpatia pelos manifestantes acampados há duas semanas junto à Catedral de São Paulo.

Num artigo publicado no Financial Times em vésperas da reunião do G20, que vai decorrer em Cannes na quinta e sexta-feira, o arcebispo da Cantuária lembrou que um documento emitido pelo Vaticano na semana passada sobre a crise financeira "apoia fortemente a proposta". A chamada "taxa Robin Hood" ou "taxa Tobin" é um imposto de cerca de 0,05 por cento sobre acções, obrigações, transações de divisas e sobre derivados, cujas receitas se destinam a ser investidas de novo na economia. "A modesta taxa disfarça os elevados níveis de retorno esperados", que uma estimativa avaliou em cerca 410 mil milhões de dólares (298 mil milhões de euros), referiu.

A proposta, recentemente apresentada pela Comissão Europeia, sublinhou, "ganhou o apoio de peritos importantes que não podem ser descartados como anticapitalistas ingénuos", como George Soros e Bill Gates. "As objecções feitas por alguns de que argumentam que significaria uma queda substancial no emprego e na economia em geral parecem ser baseadas em projeções exageradas e incisivamente questionadas", acrescentou. Williams deixou uma farpa ao governo britânico, contrário à ideia por temer as consequências no sector financeiro britânico, preferindo a taxação sobre os bens dos bancos. O clérigo sugeriu que se deve investigar "quão longe a opção favorita do governo vai garantir que as metas de desenvolvimento domésticas e internacionais centrais nas propostas 'Robin Hood'".

Aludindo ao documento produzido pelo Conselho Pontifical para a Paz e Justiça, o líder espiritual anglicano referiu outras propostas, como a separação do banca de investimento das operações de retalho e a recapitalização com dinheiro público. Rowan Williams tentava assim "ser mais específico" sobre as exigências "vagas" das centenas de manifestantes que há duas semanas estão acampados junto à Catedral de São Paulo, cuja dimensão considerou refletir a "exasperação generalizada e profunda" com o setor financeiro. O espaço foi ocupado a 15 de Outubro depois de a polícia ter impedido a chegada à Praça Paternoster, junto à Bolsa de Londres e de bancos como o Goldman Sachs e o BES.

A igreja tem sido criticada devido à forma incoerente como reagiu, primeiro reconhecendo o direito de o protesto permanecer mas poucos dias depois pedindo que abandonassem o local. Três clérigos demitiram-se e duas acções judiciais para retirar as tendas e expulsar os manifestantes foram entretanto suspensas. Os membros do movimento consideraram hoje que o "sistema [financeiro] global é insustentável", "antidemocrático e injusto e movido pelo lucro no interesse de poucos". "O melhor resultado das controvérsias infelizes [na Catedral] de São Paulo será se as questões levantadas pelo Conselho Pontifical puderem centrar um esforço concertado para fazer avançar o debate e trazer mudança credível ao mundo financeiro", desejou Williams.

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