Kerry afirma que Damasco não enganará o mundo

O secretário de Estado norte-americano afirmou hoje que o mundo não será "enganado" pelo regime sírio, recordando que o objetivo da conferência Genebra II, a decorrer na próxima semana, é trabalhar numa transição política na Síria.

"Ninguém será enganado", disse John Kerry em declarações à comunicação social em Washington, acrescentando que o objetivo da conferência de paz agendada para Montreux, Suíça, é "aplicar Genebra I", um acordo assinado em junho de 2011, mas nunca aplicado, que prevê um governo de transição na Síria.

Na mesma ocasião, o chefe da diplomacia norte-americana foi questionado pela comunicação social sobre uma carta da diplomacia síria dirigida às Nações Unidas, na qual Damasco advertiu que, de acordo com a sua opinião, o objetivo de Genebra II era lutar contra "o terrorismo" e não discutir uma "transição política".

John Kerry acusou o regime do Presidente sírio Bashar al-Assad de tentar desviar as atenções do objetivo das conversações de paz.

"Podem gritar, protestar e distorcer as coisas, o fundamental é que vamos para Genebra II para aplicar Genebra I e se Assad não fizer isso, abre a porta para uma resposta mais forte", indicou Kerry, reiterando que os Estados Unidos dispõem de várias "opções" no que diz respeito ao conflito sírio.

A poucos dias do início da conferência Genebra II, previsto para quarta-feira, o regime de Damasco comprometeu-se hoje com gestos "humanitários", mostrando disponibilidade para autorizar a passagem de caravanas de ajuda humanitária, para trocar prisioneiros com as forças rebeldes e aplicar um cessar-fogo em Alepo (norte da Síria).

Do outro lado, a oposição síria no exílio, profundamente dividida e sob forte pressão dos patrocinadores da iniciativa diplomática (Estados Unidos e Rússia), deve decidir em breve se participa ou não no encontro.

O conflito na Síria, que começou em março de 2011 na sequência da repressão de protestos antigovernamentais, já causou, de acordo com a organização não-governamental Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), mais de 130.000 mortos.