Jornal criticado por publicar foto de Teresa Romero no quarto de hospital

O jornal espanhol está a ser criticado nas redes sociais por ter publicado, na sua primeira página, uma foto da auxiliar de enfermagem infetada com ébola. Diretor justificou-se diante dos leitores que condenam a violação de privacidade de Teresa Romero, que está em estado grave mas estável. .

A imagem que mostra Teresa Romero no quarto do hospital Carlos III, de Madrid, onde se encontra em isolamento, ilustra a manchete do jornal El Periódico, onde se lê que as autoridades de saúde aceitaram mudar o protocolo do ébola.

Vários leitores expressaram nas redes sociais que a publicação da imagem, sem consentimento de Teresa ou da família, representa uma grave violação da privacidade da doente. "Parece-me incrível que usem esta foto sem o seu consentimento", escreveu um leitor no Facebook do jornal. Outro vai mais longe, dizendo que "nunca esperei semelhante lixo do meu meio de comunicação de referência".

Diante das críticas dos leitores, o diretor Enric Hernàndez publicou no site do jornal as "cinco razões" que justificam a publicação da imagem. Em primeiro lugar, o responsável diz que a foto, tirada ao monitor usado para vigiar o estado de saúde de Teresa, não foi roubada. Foi obtida com o consentimento de algum membro do hospital.

Hernàndez diz ainda que tanto o tamanho como a nitidez da fotografia "não são casuais", sendo apenas visível um plano geral do quarto para "não violar a intimidade" de Teresa. "Não se vê o seu rosto, nem se está intubada ou não". O objetivo, justifica, era mostrar em que condições está a ser atendida.

O diretor lembra ainda que outros meios de comunicação tiveram acesso ao número de telemóvel da Teresa e telefonaram-lhe, apesar do seu estado de saúde, criticando que o hospital não tenha nesse caso protegido a sua intimidade. Apontando o dedo a outros meios, Hernàndez diz ainda que várias televisões procuraram, junto dos vizinhos e família de Teresa, procurar detalhes "mais ou menos escabrosos" sobre a sua vida privada.

Finalmente, o diretor diz que face às críticas das autoridades madrilenas, que procuram culpar Teresa Romero da responsabilidade do contágio, a publicação das condições em que está a ser tratada "constituía mais uma defesa da doente do que uma intromissão na sua intimidade".

"Cinco desculpas, não razões. Não tem razão quando vos falta algo principal, a autorização a interessada ou do tutor legal, se tivesse um", escreveu uma leitora no Facebook."É uma vergonha que se tenha publicado a fotografia desta senhora e pronto. Não há justificação possível"; indicou outro leitor, na página do jornal.

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