UE não convenceu Ucrânia a assinar acordo

A União Europeia não chegou a acordo com a Ucrânia para assinar esta sexta-feira o acordo de associação que seria histórico e selaria a aproximação da ex-república soviética ao Ocidente. Assim, a Rússia, que pressionou Kiev, sai vencedora. A UE sai da cimeira da Parceria Oriental, em Vilnius, na Lituânia, com um duro revés.

No final desta III Cimeira da Parceria Oriental da UE com seis ex-repúblicas soviéticas - Ucrânia, Geórgia, Moldávia, Bielorrússia, Arménia e Azerbaijão - o balanço é mitigado: a UE assinou uma primeira versão de acordo com a Geórgia e a Moldávia e um acordo de facilitação de vistos com o Azerbaijão. Mas com a Ucrânia, nada.

"O 'status quo' não mudou. O Presidente ucraniano não está disposto a ir mais longe na integração com a União Europeia", disse a Presidente da Lituânia, anfitriã da cimeira, Dalia Grybauskaité.

Antes desta cimeira, em que participaram alguns chefes do Estado e do Governo da UE, mas não todos, o Presidente da Ucrânia já tinha dito que não iria assinar este acordo de associação com a UE, um primeiro passo no caminho da integração do país na UE no futuro. E porquê? Por pressão da Rússia, diz o Governo ucraniano, que, ao que tudo indica, prefere levar a Ucrânia de volta para o caminho da Rússia e não da UE.A decisão do Governo de Kiev tem motivado protestos em toda a Ucrânia e fora dela. Milhares de pessoas têm saído à rua para exigir uma aproximação maior da Ucrânia à UE. Sem sucesso.

No final da cimeira, Ianukovitch não fechou, porém, a porta totalmente. "Confirmo a intenção da Ucrânia em assinar o acordo de associação [com a UE] num futuro próximo", declarou o Presidente ucraniano em Vilnius, segundo um comunicado que, refere a AFP, foi disponibilizado pela presidência da Ucrânia. "A pausa forçada no processo de assinatura não significa uma paragem nas reformas necessárias na Ucrânia com vista à continuação da integração europeia. Para nós, a escolha europeia continua a ser um caminho estratégico".

Ianukovitch explicou que, para assinar o acordo de associação com a UE, Kiev precisa de uma maior assistência financeira e económica por parte dos europeus. "Nós precisamos que os nossos colegas europeus tomem medidas decididas em relação à Ucrânia no que respeita ao desenvolvimento e à realização de um programa de ajuda financeira e económica". O chefe do Estado ucraniano, conhecido pelas suas posições pró-Rússia, indicou ainda que está interessado em retomar a cooperação com o FMI e o Banco Mundial mas "com condições que sejam aceitáveis".

Numa curta conferência de imprensa hoje em Vilnius, os presidentes da Comissão Europeia e do Conselho Europeu, respetivamente, Durão Barroso e Herman van Rompuy, repetiram o aviso feito há dias em relação à Rússia e ao seu Presidente Vladimir Putin. "Não podemos aceitar o veto de outro país" sobre a vontade europeia de aproximação a outros Estados, declarou Barroso, citado pela AFP. As ações da Rússia em relação às ex-repúblicas soviéticas são "incompatíveis" com a forma como as coisas deveriam "acontecer na Europa".

Ambos os responsáveis europeus sublinharam que o acordo com a Ucrânia "se mantém em cima da mesa" e apelaram a Kiev para que "descarte considerações de curto prazo e pressões vindas do exterior". "É tempo de coragem e de decisão. Não devemos recuar face a pressões externas, mesmo as da Rússia", acrescentou o presidente do Conselho Europeu, enquanto o presidente da Comissão Europeia sublinhava que a aproximação política e económica às antigas repúblicas soviéticas é "um processo a favor de qualquer coisa e não contra alguém".

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