"Ucrânia deverá escolher o seu futuro sem pressões"

Algumas dezenas de ucranianos estiveram concentrados à porta da embaixada da Ucrânia, em Lisboa, ao início da tarde de hoje, num protesto a favor da assinatura do acordo de associação entre a União Europeia (UE) e a Ucrânia, que deveria acontecer na Cimeira da Parceria Oriental de hoje e amanhã em Vilnius.

Liderados por Pavlo Sadokha, o presidente da Associação dos Ucranianos em Portugal, os manifestantes estavam solidários com os seus compatriotas que nos últimos dias têm saído à rua na Ucrânia, bem como com as suas aspirações europeias.

Os ucranianos residentes em Portugal, acreditam ter interiorizado os valores comuns europeus e apelam ao Presidente ucraniano, Viktor Ianukovitch, para que assine o acordo de associação entre a União Europeia e a Ucrânia durante esta cimeira na capital da Lituânia.

"A Ucrânia deverá escolher por si o seu futuro sem ceder a pressões", disse ao DN Stefan, um estudante universitário, que vive há quatro anos em Lisboa. "É inevitável a demissão de Ianukovitch e do Governo se não assinarem o acordo com a UE", afirmou, por sua vez, Anatoly, um imigrante ucraniano que chegou a Portugal há 12 anos.

O protesto decorreu sem incidentes. Os manifestantes procuraram ainda dialogar com o embaixador da Ucrânia em Portugal, Oleksandr Nykonenko, mas tal não foi possível por inexistência de agendamento prévio.

Na semana passada, o Governo da Ucrânia decidiu inesperadamente renunciar à assinatura de um acordo de associação e de comércio livre com a União Europeia, tendo a oposição acusado o Executivo de ter cedido à pressão de Moscovo. A Rússia tinha claramente advertido Kiev das consequências comerciais de um acordo com a União Europeia.

Neste contexto, assistiu-se, nos últimos dias, a uma troca de declarações inflamadas entre dirigentes europeus e russos. Apesar de tudo, Ianukovitch manteve que iria estar presente hoje e amanhã em Vilnius.