Tribunal mantém acusação contra Strauss-Kahn

O antigo diretor-geral do FMI, Dominique Strauss-Kahn, continua acusado de proxenetismo no processo do conhecido como o 'caso Carlton', anunciaram hoje os seus advogados, que esperavam um recuo nesta medida.

O tribunal recusou os pedidos de anulação do processo contra o ex-diretor-geral do FMI, apresentados pelos seus advogados. A decisão do tribunal francês surge dez dias após o fim da investigação a Strauss-Khan nos Estados Unidos, onde foi acusado, em 2011, de ter abusado sexualmente de uma empregada de limpeza do hotel Sofitel em Nova Iorque, Nafissatou Diallo, informa a AFP.

Em França, o político socialista do FMI foi indiciado a 26 de março por proxenetismo, depois de ter alegadamente participado em festas de índole sexual com prostitutas, nomeadamente em Paris e em Washington.

Strauss-Kahn, de 63 anos, afirmou que as mulheres lhe tinham sido apresentadas por um polícia de Nova Iorque, alegando não ter conhecimento de que eram prostitutas. Neste processo estão indiciadas nove pessoas, incluindo o próprio.

"A defesa de Dominique Strauss-Kahn está confiante de que ele será finalmente ilibado destas absurdas acusações de proxenetismo", declararam os seus advogados num comunicado, acrescentando ter dúvidas quanto à imparcialidade dos juízes, a quem acusam de não terem dado conhecimento à defesa de todos os documentos do processo.

No dia 10 deste mês, um acordo financeiro entre o antigo presidente do FMI e Nafissatou Diallo, a mulher que o acusou de agressão sexual no hotel Sofitel, em Nova Iorque, livrou Strauss-Khan de enfrentar a justiça americana, que já o andava a investigar.

Este caso forçou-o a demitir-se do seu cargo no FMI e pôs um fim às suas ambições de concorrer às eleições presidenciais em França.

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