"Rússia não permitirá banho de sangue", diz MNE russo

A Rússia "não permitirá um banho de sangue" na Ucrânia, afirmou hoje em Madrid o ministro russo dos Negócios Estrangeiros, Serguei Lavrov, numa altura de tensão entre as forças russas na península da Crimeia e as forças ucranianas.

"Não permitiremos um banho de sangue na Ucrânia. Não permitiremos nenhum ataque contra a vida e a saúda dos que vivem na Ucrânia. nem contra os russos que vivem na Ucrânia", disse Serguei Lavrov, que na capital espanhola ouviu do seu homólogo espanhol, José Manuel García-Margallo, um pedido para que a Rússia respeite os limites das fronteiras a integridade territorial da Ucrânia.

Mais tarde, em Paris, Lavrov deverá reunir-se com o secretário de Estado dos Estados Unidos, John Kerry, depois de os norte-americanos terem deixado no ar a ameaça de não participar na reunião do G8 na Rússia em junho.A poucas horas do encontro na capital francesa e na véspera da cimeira europeia extraordionária em Bruxelas, o Presidente da França, François Hollande, admitiu que contempla a hipótese de impor sanções à Rússia para pressionar o regime de Moscovo.

Enquanto Lavrov garantia querer evitar "um banho de sangue", o ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Andrïi Dechtchitsa, afirmava, por seu lado, que quer resolver o conflito de forma pacífica. "Queremos resolver esta crise de forma pacífica. Não queremos combater com os russos", disse, em Paris, depois de se reunir com o ministro dos Negócios Estrangeiros da França, Laurent Fabius, no Quai d'Orsay. "Queremos manter um bom diálogo, boas relações com o povo russo. Apreciamos todos os contactos possíveis".

Pouco antes, à rádio RMC e à BFM-TV declarara: "Não queremos declarar guerra aos russos, mas o que eles fazem é inaceitável. Trata-se da invasão de um país por outro". E enquanto Dechtchitsa fazia estas declarações na capital francesa, de Kiev chegava a notícia de que as forças russas tinham tomado o controlo parcial da segunda base de lançamento de mísseis na Crimeia e de que as novas autoridades ucranianas tinham dado ordem para reforçar a segurança de todas as suas instalações nucleares.

Entretanto, a Organização para a Cooperação e Segurança na Europa (OSCE) indicou que enviar 35 observadores militares para a Ucrânia, anunciou este organismo, sublinhando que os enviados que vão aferir "atividades militares não usuais". O mandato destes peritos está estabelecido no capítulo 3 do "Documento de Viena", que permite acolher voluntariamente visitas de observadores para "tratarem atividades militares não usuais", explicou a OSCE num comunicado divulgado hoje, e citado na agência espanhola EFE.

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