Rejeitado o russo como segunda língua

Moscovo critica o facto de mais de 300 mil russófonos não terem votado no referendo.

A Letónia rejeitou em referendo uma proposta para tornar o russo a segunda língua oficial do país, motivando uma posição muito crítica de Moscovo, para quem o voto "não refletiu a realidade". Segundo os resultados quase definitivos, 75% do eleitorado votou contra a segunda língua oficial.

Em comunicado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia lamentou que "319 mil 'apátridas' tenham sido privados de se exprimir, apesar de grande parte deles ter nascido na Letónia e trabalhar ali há muito tempo". Com 2 milhões de habitantes, a Letónia tem um terço de russófonos, mas quase metade destas pessoas não possui direitos de cidadania, nomeadamente direito de voto. As leis linguísticas, impostas pela maioria letã, dificultam entretanto a aquisição da cidadania por parte de muitos destes russos, que vivem sobretudo no leste do país e na capital, Riga.

Membro da União Europeia, à qual aderiu em 2004, a Letónia tornou-se independente em 1991. A república báltica integrava a URSS.

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