Papa preside a vigília pelas vítimas inocentes da máfia

O Papa Francisco vai presidir na sexta-feira a uma vigília de oração pelas vítimas inocentes da máfia, na qual se prevê a participação de cerca de 700 familiares, noticiou hoje a Rádio Vaticano.

A vigília, organizada pela Fundação Libera, organização dedicada a combater o crime organizado em Itália, decorre na igreja de São Gregório VII na véspera do dia nacional de memória das vítimas inocentes da máfia.

"Para as famílias das vítimas inocentes, esta reunião com o papa é uma dádiva", disse o padre Luigi Ciotti, presidente da Fundação Libera, citado pela Rádio Vaticano.

"A disponibilidade do papa para acompanhar estes familiares neste momento, carregado de sofrimento mas também marcado pela esperança, é um sinal de atenção e sensibilidade, que eles agarraram desde o primeiro momento", acrescentou.

Referindo que a participação do papa é "uma atenção à nossa frágil e ferida humanidade", Ciotti, da arquidiocese de Turim, afirmou tratar-se também de uma chamada de atenção para "os assuntos específicos da máfia, da corrupção, das muitas formas de injustiça que negam os direitos humanos".

A vigília deverá reunir cerca de 700 familiares das vítimas da máfia, provenientes de toda a Itália e representando as cerca de 15 mil pessoas que sofreram a perda de um ente querido para a violência da máfia.

A oração começa às 17:30 e termina às 19:00 e para o dia seguinte a fundação organizou uma manifestação na cidade italiana de Latina, que inclui 'workshops' para os participantes sobre ação cívica contra a máfia.

Fundada em 1995 para encorajar a sociedade civil a lutar contra o crime organizado e para promover a justiça, a Fundação Libera reúne mais de 1.500 organizações, grupos e escolas comprometidos com a construção de uma dinâmica política e cultural que promova o sentido da legalidade na sociedade.

Segundo o centro de investigação Transcrime, a máfia tem a sua maior presença nas regiões centro e noroeste de Itália e é responsável pela maior parte da atividade ilegal no país, incluindo exploração sexual, tráfico de armas, drogas e tabaco, contrafação, jogo ilegal, usurpação e extorsão.

O mesmo centro estima que, juntas, as atividades da máfia gerem um volume de negócios de entre 24 e 46 mil milhões de dólares, o equivalente a 1,7% do PIB italiano.

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