Os 85 mais ricos têm tanto como a metade mais pobre

Os 85 mais ricos do mundo detêm uma fortuna equivalente às 3,5 mil milhões de pessoas que compõem a metade mais pobre do mundo, de acordo com dados da organização não governamental Oxfam divulgados hoje no Fórum Económico Mundial, que se realiza em Davos, Suíça.

A riqueza de 1% dos mais ricos do mundo está avaliada em 81 biliões de euros, ou 65 vezes tanto como a metade mais pobre do mundo, diz também a Oxfam, citada pelo jornal britânico.

"É impressionante que no século XXI, metade da população do mundo -- isto é, 3,5 mil milhões de pessoas -- não tenham mais do que uma pequena elite que cabe confortavelmente num autocarro de dois andares", disse ao The Guardian a diretora executiva da Oxfam, Winnie Byanyima, que representará a ONG no Fórum Económico Mundial, em Davos.

Para a organização não governamental, "a batalha conta a pobreza não pode ser vencida sem parar a desigualdade na distribuição da riqueza", lê-se no seu relatório Working for The Few ('Trabalhar para uns quantos", numa tradução livre).

O documento apresenta ainda outras conclusões:

- Sete em cada 10 pessoas vivem em países em que a desigualdade económica cresceu nos últimos 30 anos.

- O 1% dos mais ricos aumentou os seus rendimentos em 24 dos 26 países dos quais existem dados entre 1980 e 2012, segundo a World Top Incomes.

- Nos Estados Unidos, o 1% dos mais ricos angariou 95% dos ganhos pós-crise financeira, desde 2009, enquanto os 90% mais pobres ficaram mais pobres, de acordo com um estudo de Emmanuel Saez, para a Universidade de Berkeley

"A desigualdade generalizada está a criar um ciclo vicioso em que riqueza e poder se concentram continuamente, deixando para o resto de nós as migalhas em cima da mesa", acrescentou a diretora-executiva da organização.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Adriano Moreira

O relatório do Conselho de Segurança

A Carta das Nações Unidas estabelece uma distinção entre a força do poder e o poder da palavra, em que o primeiro tem visibilidade na organização e competências do Conselho de Segurança, que toma decisões obrigatórias, e o segundo na Assembleia Geral que sobretudo vota orientações. Tem acontecido, e ganhou visibilidade no ano findo, que o secretário-geral, como mais alto funcionário da ONU e intervenções nas reuniões de todos os Conselhos, é muitas vezes a única voz que exprime o pensamento da organização sobre as questões mundiais, a chamar as atenções dos jovens e organizações internacionais, públicas e privadas, para a necessidade de fortalecer ou impedir a debilidade das intervenções sustentadoras dos objetivos da ONU.