Oito lusodescendentes na segunda volta

A associação de eleitos luso-franceses Cívica anunciou hoje que oito candidatos de origem portuguesa passaram à segunda volta das eleições legislativas em França e quatro têm hipóteses de entrar no parlamento.

De acordo com a página na Internet da Cívica, oito luso-franceses vão disputar no domingo a segunda volta da corrida à Assembleia Nacional.

Os resultados, explicou à Lusa o presidente da associação, Paulo Marques, "vão depender muito da mobilização dos eleitores abstencionistas", mas "há quatro candidatos luso-descendentes que têm hipóteses de ser eleitos".

"Para nós, o resultado desta primeira volta é importantíssimo, porque temos a certeza de que haverá deputados na Assembleia", afirmou, estimando para domingo a eleição de, no mínimo, dois deputados de origem portuguesa.

Fazendo um balanço em relação a 2007, Paulo Marques afirmou que este ano houve mais candidatos luso-descendentes. Há cinco anos passaram dois à segunda volta, este ano há oito, acrescentou.

Entre os oito candidatos luso-descendentes com maior vantagem listados pela Cívica estão a socialista Christine Pires Beaune, que ficou em primeiro lugar na segunda circunscrição de Puy-de-Dôme (a 500 quilómetros a sul de Paris), e o comunista Patrice Carvalho, que concorre na sexta circunscrição do Oise (a 110 quilómetros a norte de Paris), e que ficou em segundo lugar no domingo, atrás do candidato da direita.

Numa posição favorável está também a socialista Sophie Cerqueira, que concorre pela sétima circunscrição de Seine e Marne, nos arredores de Paris, e que vai disputar o lugar no parlamento francês com um candidato de direita.

Os restantes cinco candidatos terão uma tarefa mais difícil.

Alexandra Custódio, que concorre pela União para um Movimento Popular (UMP, o partido da direita, do ex-Presidente Nicolas Sarkozy) à segunda circunscrição do Loire, perto de Lyon (sudeste), teve apenas 26 por cento dos votos, contra os 42 por cento do seu adversário. Contudo, ainda pode beneficiar dos votos da extrema-direita.

Gégoire Carneiro, também candidato pela UMP, disputa a quinta circunscrição de Haute-Garronne, perto de Toulouse (sul). Conseguiu 24,7 por cento dos votos, contra os 44,6 do adversário socialista.

O luso-descendente Bruno Subtil concorre, nas listas da Frente Nacional, o partido da extrema-direita, à primeira circunscrição de Aube, 200 quilómetros a sudeste de Paris, e disputa o lugar de deputado com os candidatos do PS e da UMP. Ficou em terceiro lugar na primeira volta, com 25,3 por cento dos votos.

O caso da primeira circunscrição de Essonnes, nos subúrbios de Paris, é particular. Daqui é certo que sai um deputado luso-descendente.

O socialista Carlos da Silva, "número dois" do ministro do Interior, Manuel Valls, será deputado se o PS vencer.

A luso-descendente Cristela de Oliveira, cabeça de lista pela UMP na mesma circunscrição, tem pela frente uma batalha dura. Os socialistas conseguiram no domingo 48,6 por cento dos votos, contra os seus 19,5 por cento.

Na primeira volta das legislativas em França, o conjunto dos partidos da esquerda -- Partido Socialista, Os Verdes e a Frente de Esquerda -- conseguiu 47 por cento dos votos, contra os 34 por cento da direita, e contra os 13,6 por cento da extrema-direita.

A abstenção chegou aos 43 por cento, o valor mais elevado registado na V República francesa (1958) numa eleição legislativa.

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