Médicos que assistiram manifestantes sob inquérito

O Governo turco ordenou a abertura de inquéritos aos médicos que assistiram os manifestantes desde o início do movimento de contestação ao primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan, denunciou hoje a União dos Médicos da Turquia (TTB).

"O inspetor-chefe do Ministério da Saúde, Izzet Tasçi, fez saber, numa mensagem com data de 13 de junho e dirigida à Câmara dos médicos de Istambul, que ordenou um inquérito às enfermarias improvisadas que forneceram assistência médica aos resistentes [numa referência aos manifestantes]" em Istambul, afirmou, em conferência de imprensa, Osman Ozturk, um dos responsáveis da TTB.

"Pediu-nos para enviar com urgência a lista dos nomes dos que trabalharem nessas enfermarias, e dos doentes que foram assistidos", acrescentou o médico.

Centenas de médicos, enfermeiros, farmacêuticos e estudantes de medicina prestaram apoio aos milhares de feridos e pessoas afetadas pelo gás lacrimogéneo desde o início do movimento de contestação no Parque Gezi, que se iniciou em 28 de maio em protesto contra o corte de árvores para depois assumir um amplo movimento de contestação ao Governo após violenta intervenção policial.

Na conferência de imprensa, Ozturk assegurou que a sua organização "não fornecerá nenhum nome de doentes ou de colegas médicos ao ministério", enquanto o Ministério da Saúde, questionado pela agência noticiosa AFP, não se pronunciou sobre a existência deste inquérito.

O último balanço publicado na quarta-feira pela TTB refere que os protestos na Turquia provocaram quatro mortos, três manifestantes e um polícia, e cerca de 7.500 feridos, incluindo 50 em estado grave.