Islamitas reivindicam rapto de francês de origem portuguesa

O Movimento para a Unidade e Jihad no Oeste Africano(Mujao) é o autor do rapto de um francês de origem portuguesa, terça-feira, no oeste do Mali, disse hoje o porta-voz do grupo, Abu Walid Sahraoui.

"Reivindicamos o sequestro do francês no sudoeste do Mali, próximo da fronteira mauritana", disse o porta-voz, acrescentando que em breve será "divulgado um vídeo do refém". O porta-voz não adiantou qualquer exigência do grupo para a libertação do homem, que segundo garantiu hoje o ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Laurent Fabius, está vivo. Entretanto, as buscas pelo francês prosseguem na região oeste do Mali e na vizinha Mauritânia, adiantaram fontes das forças de segurança malianas à agência France Presse. "Há muito poucas hipóteses de o libertar rapidamente", admitiu, no entanto, uma dessas fontes. Gilberto Rodriguez Leal, um francês de origem portuguesa, de 61 anos, foi raptado na terça-feira cerca das 22 horas na região de Kayes, oeste do Mali. O francês, cuja profissão se desconhece, tinha chegado ao Mali há poucas horas, proveniente da Mauritânia, quando foi retirado de dentro do carro de matrícula francesa no qual seguia. Segundo fontes dos serviços de segurança do Mali, o francês terá sido retirado do carro "por pelo menos seis homens armados" em Diema, enquanto as autoridades francesas sustentam que o sequestro aconteceu em Nioro, cidade situada mais a norte. Um responsável do Mujao, um dos grupos armados que ocupa o norte do Mali, tinha indicado na quarta-feira que o refém estava em seu poder, sem precisar se estava com o seu grupo ou com os aliados da Al-Qaida do Magreb Islâmico (Aqmi). Este novo rapto eleva para 13 o número de estrangeiros, incluindo sete franceses, reféns dos islamitas armados da região do Sahel. Os radicais islâmicos da Aqmi, Mujao e do Ansar Dine [Defensores do Islão] ocupam o norte do Mali, mas só muito raramente atuam no oeste e no sul do país.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Henrique Burnay

Discretamente, sem ninguém ver

Enquanto nos Estados Unidos se discute se o candidato a juiz do Supremo Tribunal de Justiça americano tentou, ou não, há 36 anos abusar, ou mesmo violar, uma colega (quando tinham 17 e 15 anos), para além de tudo o que Kavanauhg pensa, pensou, já disse ou escreveu sobre o que quer que seja, em Portugal ninguém desconfia quem seja, o que pensa ou o que pretende fazer a senhora nomeada procuradora-geral da República, na noite de quinta-feira passada. Enquanto lá se esmiúça, por cá elogia-se (quem elogia) que o primeiro-ministro e o Presidente da República tenham muito discretamente combinado entre si e apanhado toda a gente de surpresa. Aliás, o apanhar toda a gente de surpresa deu, até, direito a que se recordasse como havia aqui genialidade tática. E os jornais que garantiram ter boas fontes a informar que ia ser outra coisa pedem desculpa mas não dizem se enganaram ou foram enganados. A diferença entre lá e cá é monumental.

Premium

Ruy Castro

À falta do Nobel, o Ig Nobel

Uma das frustrações brasileiras históricas é a de que, até hoje, o Brasil não ganhou um Prémio Nobel. Não por falta de quem o merecesse - se fizesse direitinho o seu dever de casa, a Academia Sueca, que distribui o prémio desde 1901, teria descoberto qualidades no nosso Alberto Santos-Dumont, que foi o verdadeiro inventor do avião, em João Guimarães Rosa, autor do romance Grande Sertão: Veredas, escrito num misto de português e sânscrito arcaico, e, naturalmente, no querido Garrincha, nem que tivessem de providenciar uma categoria especial para ele.