França poderá dissolver Liga de Defesa Judaica

O Ministério do Interior francês pondera a extinção da Liga de Defesa Judaica, uma associação constituída por jovens sionistas radicais em França, avançou esta quinta-feira o jornal 'Libération'.

"A DLPAJ [Direcção das liberdades públicas e de assuntos jurídicos do ministério do Interior] trabalha a tempo inteiro no estudo da possibilidade de uma interdição da LDJ [Liga de Defesa Judaica]", afirmava uma fonte policial ao jornal francês 'Libération'.

A LDJ é condenada por outras instituições judaicas pelo seu cariz extremista e acusada por diferentes vozes, entre elas as de pró-palestinianos radicais, de estimular em França tensões relativas ao conflito israelo-palestiniano.

Não estando constituída formalmente como associação, a LDJ pode ainda assim ser submetida ao artigo 212-1 do código francês de segurança interna, e consequentemente dissolvida, através das cláusulas que visam associações ou grupos de facto que "provoquem a discriminação, o ódio ou a violência por motivos étnicos ou religiosos, ou propaguem ideias que incitem a esta discriminação" e "que apresentem, pela sua forma e organização militar, o caráter de grupos de combate ou de milícias privadas".

Na semana passada, o ministro do Interior, Bernard Cazaneuve, havia já denunciado atos da LDJ "que podem ser censuráveis e que devem ser condenados", segundo a AFP. O grupo sionista, composto por algumas dezenas de membros, tem sido alvo de duras críticas após ter protagonizado violentos confrontos contra militantes pró-palestinianos a 13 de julho, perto da sinagoga de la Roquette, na capital francesa de Paris.

A Liga de Defesa Judaica francesa inspira-se no grupo homónimo norte-americano, classificado como "terrorista" desde 2001 pelo FBI, polícia federal dos EUA. O seu emblema (um punho cerrado sobre uma estrela de David preta, em fundo amarelo) é, à exceção das cores, o mesmo do movimento de extrema-direita Kach, proibido em Israel.

Entre 4 500 e seis mil pessoas - entre elas membros da LDJ, que confirmou a sua presença à AFP - reuniam-se esta quinta-feira à frente da embaixada de Israel em Paris, em manifestações pró-israelitas. Nos seus cartazes lia-se "Israel legítima defesa" e "Hamas, Al-Qaeda o mesmo combate". Em Lyon, uma manifestação semelhante reunia entre 800 a mil pessoas.

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