Exército pede "medidas de emergência" a Ianukovitch

O exército ucraniano pediu hoje ao presidente, Viktor Ianukovitch, que tome "medidas de emergência para estabilizar" a situação na Ucrânia, num comunicado publicado no site do Ministério da Defesa.

"Os militares e os (restantes) funcionários do Ministério da Defesa pediram ao chefe supremo das Forças Armadas [o chefe de Estado] para tomar medidas de emergência, no âmbito da atual legislação, para estabilizar a situação no país", palco há mais de dois meses de um movimento de protesto sem precedentes contra o poder, de acordo com o documento.

"Os militares e os (restantes) funcionários do Ministério da Defesa consideraram inaceitáveis os assaltos realizados contra edifícios públicos e as tentativas de impedir o poder de cumprir as suas funções, notando que uma escalada da contestação ameaça a integridade territorial da Ucrânia", acrescenta o comunicado.

Na quinta-feira, o serviço de imprensa da presidência ucraniana anunciou que Viktor Ianukovitch, confrontado com um movimento de protestos sem precedentes no país desde que renunciou, em novembro, assinar um acordo de associação com a União Europeia, estava indisponível devido a "uma doença respiratória aguda".

Num comunicado publicado algumas horas mais tarde, o Presidente acusou a oposição de "envenenar a situação" ao pedir à população para se continuar a manifestar "devido às ambições políticas de alguns dirigentes" opositores.

Os três principais líderes do movimento de protesto - Vitali Klitschki, Arseni Iaseniuk e Oleg Tiagnybok - afirmaram, numa declaração conjunta, que Ianukovitch tinha violado a Constituição.

Os líderes opositores acusaram o Presidente de ter feito "chantagem" com os deputados da sua própria formação política, o Partido das Regiões, para aprovarem, na quarta-feira, apesar das reticências manifestadas por alguns parlamentares, uma lei que concede uma amnistia aos manifestantes detidos.

Para que a amnistia entre em vigor, os manifestantes devem abandonar, em 15 dias, as ruas, praças e edifícios administrativos que ocuparam em Kiev e em várias regiões, o que a oposição já recusou.