Eleitores votam em legislativas boicotadas pela oposição

Os eleitores da Bielorrússia começaram hoje de manhã a votar em eleições legislativas, boicotadas pelos principais partidos da oposição, que denunciam múltiplas violações dos procedimentos eleitorais.

Cerca de sete milhões de eleitores são chamados às urnas desde as 08:00 (06:00 em Lisboa) e até às 20:00 (18:00 em Lisboa) para escolher os 110 deputados do parlamento desta antiga reública soviética, que tem 9,5 milhões de habitantes.

Estas eleições, no país mais fechado da Europa, ocorrem dois anos depois da controversa reeleição do presidente Alexandre Lukachenko para um quarto mandato.

"Vou votar, é o nosso dever", disse à AFP Nikolaï, reformado e residente em Minsk. Depois das eleições de 2010, dezenas de milhares de manifestantes saíram à rua, em Minsk, para denunciar fraudes maciças.

Várias detenções e condenações seguiram-se a estas manifestações e um ex-candidato à presidência, bem como uma dezena de militantes da oposição e defensores dos direitos humanos continuam detidos.

A União Europeia reforçou, no início do ano, as sanções contra perto de 250 responsáveis bielorrussos para protestar contra a repressão exercida sobre os opositores.

Muito isolada na cena internacional, Minsk voltou-se para Moscovo, para apoio e ajuda financeira.

A Bielorrússia atravessou uma grave crise económica em 2011, com a inflação a atingir o nível recorde de 108 por cento. Uma forte desvalorização da moeda permitiu reencontrar um equilíbrio frágil.

Os dois principais movimentos de oposição - o Partido Cívico Unido e a Frente Popular bielorrussa - anunciaram na semana passada que vão boicotar as legislativas e apelaram aos eleitores para não votarem e denunciar múltiplas violações do processo eleitoral.

Sinal de que a tensão está a aumentar, vários jornalistas bielorrussos e estrangeiros foram detidos na terça-feira, em Minsk, durante uma ação de campanha da oposição, de acordo com a Associação dos Jornalistas bielorrussos.

A UE manifestou recentemente preocupação e dúvidas de que as liberdades de expressão, associação e reunião sejam respeitadas.

Durante os últimos quatro anos, o papel dos deputados limitou-se à aprovação das escolhas da presidência bielorrussa, de acordo com a oposição e os observadores.

Ao contrário dos dois principais partidos da oposição, pequenos movimentos oposicionistas, como a formação Dizer a Verdade do ex-candidato presidencial Vladimir Nekliaiev, decidiram participar no escrutínio.

Mas, a grande maioria dos candidatos são funcionários leais a Lukachenko e nenhum deputado crítico do poder foi eleito nas legislativas de 2008, o que se pode repetir no domingo.

Até 20 por cento dos eleitores podem boicotar as eleições, mas a participação será, sem dúvida, superior a 50 por cento, limite mínimo necessário para que o escrutínio seja válido, de acordo com o sociólogo independente Oleg Manaiev.

As autoridades bielorrussas criticaram os apelos ao boicote e Lukachenko deu a entender que esta decisão da oposição tinha sido ditada pelo estrangeiro.

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