Damasco pronto para medidas humanitárias em Alepo

O poder sírio está pronto para tomar uma série de medidas humanitárias, trocas de prisioneiros com os rebeldes e aplicar um plano de cessar-fogo em Alepo, anunciaram hoje os chefes da diplomacia síria e russa em Moscovo.

Estas propostas respondem a algumas das condições da oposição síria no exílio, que vai decidir hoje, em Istambul, sobre a participação na conferência de paz Genebra 2, prevista para 22 de janeiro em Montreux, na Suíça.

"Notamos que o Governo sírio está pronto, e isto foi confirmado hoje pelo ministro (sírio), para tomar uma série de medidas de caráter humanitário, nomeadamente em resposta aos nossos apelos", declarou o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Lavrov, no final de uma reunião, em Moscovo, com o homólogo sírio, Walid Muallem.

"São propostas concretas, que estão já em curso, para entregar ajuda humanitária em aldeias da região de Gouta oriental, e em outras regiões, incluindo na periferia de Damasco e Alepo", acrescentou.

Muallem indicou que o regime de Bashar al-Assad estava pronto a proceder a trocas de prisioneiros de guerra.

"Informei o ministro Lavrov que estávamos prontos para trocar detidos por prisioneiros capturados pelo campo contrário", disse.

"Estamos prontos para trocar listas [de prisioneiros] e elaborar um sistema para concretizar a troca", acrescentou.

Damasco transmitiu a Moscovo um plano para garantir a segurança na região de Alepo, de acordo com o ministro.

"Tendo em conta o papel da Rússia para pôr fim ao banho de sangue na Síria, bem como as nossas relações de confiança, transmiti hoje ao ministro Lavrov um plano de várias medidas para garantir a segurança em Alepo", declarou Muallem.

"Pedi ao ministro Lavrov que estabeleça os contactos necessários para realizar este plano, para determinar o momento exato do fim de todas as ações militares nesta região", acrescentou.

Na segunda-feira, durante um encontro entre Lavrov e o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, em Paris, os Estados Unidos e a Rússia apelaram para "um cessar-fogo", limitado geograficamente, antes da conferência de paz.

Este cessar-fogo foi uma das condições apresentadas pela Coligação da Oposição Síria para participar na conferência de paz Genebra 2.

Lavrov, Kerry e o enviado especial da Liga Árabe e da ONU para a Síria, Lakhdar Brahimi, defenderam a realização de "trocas de prisioneiros" entre a rebelião e o regime sírio e a criação de "corredores humanitários" na Síria, exigidos pela Coligação da Oposição.

Uma parte dos membros da Coligação da Oposição Síria, a começar pelo Conselho Nacional Sírio (CNS), a principal formação a integrar a coligação, recusa sentar-se à mesma mesa que os representantes do regime de Damasco.

Ao mesmo tempo que os Estados Unidos pediram, mais uma vez, à Coligação para enviar uma delegação à Suíça, Lavrov disse "estar muito preocupado" com a atitude da Coligação.

A conferência Genebra 2 deve tentar encontrar uma solução política capaz de pôr fim à guerra civil na Síria, que já fez mais de 130 mil mortos e milhões de refugiados e deslocados desde março de 2011.

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Henrique Burnay

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