Confrontos regressam à praça Taksim

Centenas de agentes da polícia antimotim voltaram a dispersar hoje pelas 18:30 (hora de Lisboa) os manifestantes da praça Taksim, centro de Istambul, após milhares de pessoas terem regressado ao local num apoio aos protestos antigovernamentais.

Horas após a primeira ação policial destinada a afastar os manifestantes da emblemática praça da metrópole turca, registada ao início da manhã, a polícia voltou a recorrer ao uso de gás lacrimogéneo e canhões de água e arrasaram numerosas tendas erguidas na praça pelos manifestantes, forçados momentaneamente a abandonar o local que ocupavam há 12 dias.

Hoje, e numa intervenção perante o seu grupo parlamentar do Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP, islamita-conservador e no poder desde 2002), o primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan voltou a atribuir a culpa dos protestos aos 'media' internacionais e às redes sociais da internet, e advertiu os manifestantes que não haverá mais tolerância.

O regresso a um discurso mais radicalizado e que está a contribuir par aumentar a tensão no país terá surpreendido alguns dos apoiantes do líder turco, que esperavam de Erdogan uma posição mais cautelosa e destinada a acalmar os ânimos nas ruas, não apenas em Istambul mas ainda em todas as principais cidades do país.

Desde há alguns meses que se especula na Turquia com a possibilidade de uma emenda constitucional que permita a Erdogan garantir, em caso de vitória eleitoral, uma presidência com mais podres que a simples função protocolar da atual chefia do Estado.