Berlim avalia saída da Grécia da zona euro

A Alemanha prepara-se para uma eventual saída da Grécia da zona euro se Atenas não cumprir o programa de ajustamento, porque os efeitos seriam menos graves do que o contágio a outras economias, adiantou a revista Der Spiegel.

Segundo a revista semanal alemã, os técnicos do Ministério das Finanças da Alemanha estão a trabalhar sobre diferentes cenários e consideram que um abandono grego resultaria, inicialmente, numa fase de turbulência dos mercados, mas a longo prazo a zona euro sairia reforçada. Economias como Espanha e Itália, continua a revista, teriam que lutar contra a turbulência, mas com mais possibilidades de superar as dificuldades do que sob a pressão da crise da dívida grega.

Os especialistas estão a avaliar também a possibilidade de queda da Itália e da Espanha, no que apelidam de pior dos cenários, e consequente activação do Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF). Se esse cenário se concretizasse, este mecanismo de apoio, com um financiamento de um bilião de euros, deveria ser activado rapidamente para poder dar liquidez suficiente a esses países.

As informações da revista Der Spiegel surgem na sequência de uma série de rumores sobre um suposto plano de Paris e Berlim para uma divisão da zona euro, baseada numa "Europa a duas velocidades", a partir da qual surgiria um novo grupo com nove ou dez membros, com políticas fiscais mais harmonizadas. A chanceler alemã, Angela Merkel, desmentiu os rumores, afirmando que o seu governo está a trabalhar na estabilização do euro com a sua estrutura atual.

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Anselmo Borges

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