Beppe Grillo sugere que a Alemanha invada a Itália

Numa entrevista hoje publicada pelo jornal alemão 'Bild, Beppe Grillo, humorista italiano e lídder do Movimento 5 Estrelas (M5E), defendeu uma invasão alemã da Itália para que o seu país possa ter, finalmente, homens políticos honestos e competentes nos principais cargos do Estado italiano.

Questionado pelo jornal sobre a classe política italiana, a quem classificou como mafia e que ainda ontem foi fortemente criticada pelo Presidente italiano reeleito, Giorgio Napolitano, de 87 anos, Grillo afirmou que "ficaria bastante feliz com um desembarque alemão em Itália" para assim dotar o país "de gente honesta, competente e profissional nos principais cargos".

"No nosso Parlamento, ainda há 30 deputados que foram condenados por crimes graves e delitos", disse Grillo, cujo movimento ficou em terceiro lugar nas eleições legislativas antecipadas de 24 e 25 de fevereiro em Itália.

Desde então, os principais partidos não conseguiram chegar a acordo sobre a formação de um novo Governo em Itália. Ao ponto de não se entenderem também sobre a eleição de um novo Presidente para o país, obrigando Giorgio Napolitano a recandidatar-se, tornando-se o primeiro chefe do Estado italiano repetente.

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'Motu proprio' anti-abusos

1. Muitas vezes me tenho referido aqui, e não só aqui, à tragédia da pedofilia na Igreja. Foram milhares de menores e adultos vulneráveis que foram abusados. Mesmo sabendo que o número de pedófilos é muito superior na família e noutras instituições, a gravidade da situação na Igreja é mais dramática. Por várias razões: as pessoas confiavam na Igreja quase sem condições, o que significa que houve uma traição a essa confiança, e o clero e os religiosos têm responsabilidades especiais. O mais execrável: abusou-se e, a seguir, ameaçou-se as crianças para que mantivessem silêncio, pois, de outro modo, cometiam pecado e até poderiam ir para o inferno. Isto é monstruoso, o cume da perversão. E houve bispos, superiores maiores, cardeais, que encobriram, pois preferiram salvaguardar a instituição Igreja, quando a sua obrigação é proteger as pessoas, mais ainda quando as vítimas são crianças. O Papa Francisco chamou a esta situação "abusos sexuais, de poder e de consciência". Também diz, com razão, que a base é o "clericalismo", julgar-se numa situação de superioridade sagrada e, por isso, intocável. Neste abismo, onde é que está a superioridade do exemplo, a única que é legítimo reclamar?