Infanta Cristina era "escudo fiscal" para Urdangarín

A filha dos reis de Espanha tornou-se proprietária da empresa Aizoon para proteger a empresa de inspeções fiscais.

O notário que celebrou a constituição da empresa, e que declarará no processo que corre em tribunal, terá desaconselhado esta prática, que lhe foi confessada por Miguel Tejeiro, cunhado do Diego Torres, sócio de Iñaki Urdangarín, marido da infanta Cristina.

Tejeiro, assessor da Aizoon, participou com o seu nome e apelidos na sociedade para dissuadir a Agência Tributária espanhola (correspondente à Autoridade Tributária em Portugal) de uma eventual investigação à sociedade cujo papel era esvaziar os cofres do Instituto Nóos (sem fis lucrativos), através de faturas falsas, desviando milhares de euros de fundos públicos.

A infanta Cristina, à semelhança dos outros membros da família real e de algumas pessoas relevância institucional, gozam do estatuto de "buraco negro" nas Finanças e assim estão isentas de inspeção tributária.

Segundo o El Mundo, a prova de que existe este "buraco negro" que deixa algumas figuras à margem de escrutínio é que a infanta Cristina aumentou para 13 o número de imóveis de que é proprietária, e que apareceram imediatamente como fazendo parte do seu património, mas nunca foi chamada a dar explicações, como aconteceria com qualquer outro contribuinte.

De acordo com o mesmo jornal, a segunda filha do rei e o marido adquiriram 100% das participações da Aizoon em fevereiro de 2003, por três mil euros. O processo foi levado a cabo por Miguel Tejeiro, cunhado de Diego Torres, advogado e professor universitário na IESE, da qual foi expulso quando se soube do caso Nóos.

O notário terá advertido Tejeiro para o facto de ter uma infanta nos sócios poder comprometer a coroa, em caso de incumprimento ou desfalque, mas Tejeiro terá dito que ela seria um "escudo fiscal". Só ficaram de fora os filhos de Cristina e Iñaki, que, inicialmente, também deveriam ser sócios da empresa.

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