Indignados levam à 3.ª demissão na Catedral de S. Paulo

A demissão do deão da Catedral de São Paulo em Londres hoje anunciada é a terceira resultante da controvérsia em redor do acampamento iniciado há duas semanas na capital britânica em protesto contra o poder do sector financeiro.

Graeme Knowles considerou que a manutenção no cargo era insustentável perante "as crescentes críticas" na comunicação social e opinião pública. "De forma a dar oportunidade a nova abordagem às questões complexas e vitais que [a Catedral de] São Paulo enfrenta, entendi que é melhor deixar as funções de deão", justificou. O arcebispo da Cantuária, Rowan Williams, lamentou a decisão, ao mesmo tempo que manifestou compreensão pelos acontecimentos dos últimos dias.

"Os eventos das duas últimas semanas mostraram claramente como decisões tomadas de boa-fé por pessoas boas sob pressão invulgar podem ter consequências inesperadas e desagradáveis", afirmou. Um acampamento com centenas de tendas e pessoas foi montado a 15 de outubro junto ao edifício, no âmbito do movimento que mobilizou no mesmo dia milhares de pessoas em cerca de 80 países contra a desigualdade económica e social e o poder do setor financeiro. O local foi ocupado após a polícia ter impedido que os manifestantes se instalassem a poucos metros, na praça da Bolsa de Valores de Londres.

A Catedral, um dos principais monumentos londrinos e sede da diocese de Londres apoiou, ao início, os manifestantes mas após uma semana invocou questões sanitárias e de segurança para encerrar e pedir o fim do acampamento. Os manifestantes recusam sair mas aceitaram alterações à organização das tendas, permitindo a reabertura do templo. Porém, o cónego Giles Fraser e o capelão Fraser Dyer demitiram-se por se oporem à hipótese de procedimentos legais e eventual recurso à polícia para a expulsão.

"A administração da Catedral de São Paulo está obviamente dividida por causa da posição que tomaram em resposta à nossa causa mas a nossa causa nunca foi dirigida aos funcionários da Catedral", reagiram hoje os manifestantes em comunicado. Rowan Williams, chefe da igreja anglicana, garantiu hoje que "as questões urgentes levantadas pelos manifestantes (?) continuam sobre a mesa e nós - como Igreja e sociedade em geral - precisamos de ver é que podem ser convenientemente tratadas". Entretanto, a City Of London, autoridade do bairro que é também o centro financeiro de Londres, anunciou a intenção de iniciar um processo judicial para forçar a saída dos manifestantes, que ocuparam uma segunda praça.

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