Indignados de Londres recebem ordem de despejo

Os participantes do acampamento de protesto anti-capitalista que ocupam há um mês um espaço público junto à Catedral de São Paulo em Londres receberam hoje uma ordem de despejo e a ameaça de uma acção judicial.

"Se algumas tendas ou outras estruturas continuarem depois das 18:00 horas de quinta feira, 17 de Novembro, serão accionados procedimentos e providências cautelares junto do Tribunal Superior de Justiça em aviso prévio", lê-se num documento hoje entregue aos participantes.

A ordem parte do City of London Corporation (CLC), a autoridade local responsável pelo bairro londrino em causa, que ameaça ainda acção semelhante no caso de tentativas de serem criados novos acampamentos.

O movimento, que alterna a denominação entre "Ocupar a Bolsa de Valores de Londres" ou "Ocupar Londres", disse estar a analisar o documento e a preparar uma resposta.

Todavia, na véspera, perante a perspectiva de a ordem de expulsão acontecer, emitiu um comunicado manifestando "desilusão que a CLC tenha decidido interromper o processo de diálogo e seguir o caminho jurídico".

Caso avance para os tribunais, é previsível que o caso se arraste por várias semanas ou meses, como aconteceu no caso do protesto do pacifista Brian Haw junto ao Parlamento, em Westminster.

Os manifestantes tinham feito uma proposta, exigindo que a autoridade, que é responsável pela City, o centro financeiro capital britânico, se tornasse mais transparente e responsável junto dos cidadãos.

Porém, também adiantaram que não estavam "minimamente preocupados" com a perspectiva de uma batalha jurídica por terem uma "grande equipa" de advogados.

O movimento, que se inspirou no "Ocupar Wall Street" iniciado em Nova Iorque, instalou-se no local a 15 de Outubro, a poucos metros da praça junto à Bolsa de Valores de Londres, cuja ocupação foi impedida pela polícia.

Em poucos dias foram montadas cerca de 200 tendas e centenas de pessoas frequentam o espaço, dormindo ou participando apenas nas actividades organizadas diariamente.

Parte do espaço ocupado pertence à Catedral de São Paulo, que se coibiu de lançar a sua própria acção jurídica, mas que a ordem de expulsão hoje entregue também inclui.

A administração da igreja começou por apoiar o protesto mas depois pediu a saída dos participantes, chegando a encerrar vários dias por questões sanitárias e de segurança.

Três funcionários da catedral demitiram-se devido à controvérsia causada, fazendo a administração recuar na intenção de agir juridicamente.

O movimento criou a 22 de Outubro um segundo acampamento em Finsbury Square, também e, Londres, mas que se situa fora da autoridade administrativa da City.

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