Governo italiano mais estável após divisão da direita

O primeiro-ministro italiano, Enrico Letta, considerou hoje que a divisão do partido de direita de Silvio Berlusconi, ocorrida durante o fim de semana, dá mais estabilidade ao Governo, depois de todas as turbulências passadas.

"Iniciámos a nossa atividade com grandes turbulências, mas agora espero poder trabalhar numa situação mais estável e mais clara. O que aconteceu no centro-direita vai ajudar e dará mais estabilidade a Itália, estou convencido", disse Letta, durante uma mesa-redonda organizada pelo jornal Financial Times sobre o futuro do país.

O Povo da Liberdade (PDL) de Silvio Berlusconi dividiu-se em dois, no fim de semana, e os "falcões" defensores da demissão do Governo de Letta seguiram o antigo primeiro-ministro italiano na criação de um novo partido, chamado Forza Italia (FI), como o movimento com o qual Berlusconi se lançou na vida política em 1994.

Berlusconi pretendia fazer cair o Governo, caso fosse aprovada, a 27 de novembro, a saída do Senado, na sequência da condenação definitiva a um ano de prisão por fraude fiscal.

Os membros do PDL que apoiam o Governo de Letta estão reagrupados em redor de Angelino Alfano, vice-primeiro-ministro e antigo delfim de Berlusconi.

Os senadores que integram esta corrente são determinantes para garantir a Letta a maioria necessária na câmara alta do parlamento italiano, através da criação de um movimento político próprio, o Novo Centro-Direita (NCD).

Letta advertiu também a Comissão Europeia de que um excesso de austeridade económica poderá ser favorável aos vários populismos e criar "o mais antieuropeu dos Parlamentos Europeus da história", nas eleições do próximo ano.

O primeiro-ministro italiano reiterou que o Movimento Cinco Estrelas (M5S), do antigo comediante italiano Beppo Grillo, e o partido de extrema-direita francês, Frente Nacional (FN), de Marine Le Pen, representavam uma ameaça para a construção europeia.

Sobre as perspetivas económicas italianas, Letta lembrou a previsão de acordo com a qual o país sairá da recessão no último trimestre deste ano, garantindo que o respeito da disciplina orçamental era para Roma "uma obrigação".

"O projeto de orçamento e o plano de privatizações vão permitir, durante o próximo ano, reduzir pela primeira vez em cinco anos a dívida italiana", acrescentou Letta.

"A Itália sairá passo a passo da crise" porque "devido a problemas políticos não é possível fazer uma revolução", sublinhou.

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