Governo grego sobrevive a moção de censura

A moção de censura contra o Governo de coligação grego, dirigido pelo conservador Antonis Samaras, foi esta noite rejeitada durante uma votação no parlamento de Atenas, na conclusão de um debate iniciado na sexta-feira. Durante a votação, milhares de militantes do partido da oposição Esquerda Radical (Syriza) estiveram concentrados frente ao parlamento para denunciarem a política de austeridade seguida pelo atual Executivo.

A moção de censura foi impulsionada pelo Syriza (esquerda), principal força da oposição, e contou com o apoio parlamentar do Partido Comunista (KKE), Gregos Independentes (direita nacionalista) e Aurora Dourada (extrema-direita).

A favor da moção votaram 124 deputados, enquanto 153 rejeitaram o texto e 17 optaram pela abstenção.

Para derrubar o Governo era necessária uma maioria absoluta de 151 votos, impossível de obter pelo facto de a maioria governamental assegurar 155 dos 300 lugares do parlamento.

O resultado constitui uma vitória para a coligação no poder entre os conservadores da Nova Democracia (ND) e o Partido Socialista (Pasok), numa altura em que o executivo negoceia com os representantes da 'troika' de credores internacionais (Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional) um novo pacote de austeridade em troca da próxima parcela do resgate financeiro.

A deputada Theodora Tzakri foi excluída do grupo parlamentar do Pasok por ter votado favoravelmente a moção de censura.

Um deputado do Syriza não participou na votação por se encontrar hospitalizado, enquanto três deputados de extrema-direita também de viram impedidos de votar por permanecerem em prisão preventiva.

O Syriza apresentou uma moção de censura na quinta-feira, após a intervenção durante a madrugada da polícia de choque na sede da antiga televisão pública ERT, para desalojar os trabalhadores que permaneciam no local num prolongado protesto contra a decisão do Governo em extinguir o canal público.

O partido justificou a iniciativa como uma forma de denunciar "as políticas catastróficas" do executivo.

Durante a votação, milhares de militantes do Syriza concentraram-se frente ao parlamento para denunciar o prosseguimento das políticas de austeridade.

A polícia referiu-se a 2000 manifestantes, enquanto jornalistas e os organizadores avançaram com mais de 5000 pessoas, referiu a agência noticiosa AFP.

O debate no hemiciclo sobre a moção de censura iniciou-se sexta-feira e terminou com a votação prevista desta noite.

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