França devolve quadros retirados a famílias judias

O Estado francês decidiu devolver sete quadros antigos a duas famílias judias que foram espoliadas durante a Segunda Guerra Mundial, na que é a maior devolução desde 2000, informou hoje o diário francês Le Monde.

A Comissão de Indemnização das Vítimas da Espoliação (CIVS, na sigla em Francês) recomendou em dezembro último ao Estado francês a restituição destas pinturas clássicas às famílias Wiener e Neumann, espoliadas nos anos quarenta, o que o Eliseu [sede da Presidência francesa] aceitou de imediato, se bem que não tenha determinado uma data para o fazer.

Depois de muitos anos de disputas e investigações, que envolveram diversas entidades e peritos, a historiadora austríaca Sophie Lillie, especialista em espoliações, encontrou em vários museus franceses quadros que os descendentes daquelas famílias estavam à procura.

O resultado só foi possível graças à 'revolução digital' e à comparação do catálogo de um leilão de objetos espoliados realizada em 1941 e ao registo MNR (Museus Nacionais Recuperação), siglas que dão nome à lista de quadros de origem desconhecida.

Os quadros são sete pinturas clássicas holandesas, italianas e alemãs, que estavam nos museus do Louvre (quatro) e de Tours, Saint-Etienne e Agen, para onde tinham sido enviados, depois de encontrados na Alemanha pelos aliados no final da guerra.

Os seus autores são Alessandro Longui, Sebastiano Ricci, Gaspare Diziani, Salavtor Francesco Fontebasso, Gaetano Gandolfi, François-Charles Palko e Pieter Jansz van Asch.

As obras estavam destinadas ao museu que Adolf Hitler pensava construir na cidade da sua infância, Linz, no nordeste da Áustria, então integrada no império Austro-Húngaro.

Richard Neumann, industrial têxtil austríaco, a quem pertenciam seis dos sete quadros restituídos, vendeu a sua coleção, em 1941, antes de fugir para Cuba com as suas mulher e filha.

"Sem a internet, nunca o teria conseguido", disse ao Le Monde Lillie, que descobriu que as obras foram compradas por três 'marchands' alemães em Paris, para os destinar ao museu que o Fuhrer queria construir.

O octogenário neto de Neumann, Tom Selldorff, em declarações telefónica ao diário francês, a partir dos EUA, disse que o seu objetivo não é ganhar dinheiro, mas "transmitir aos filhos e aos netos o amor que o avô sentia pela arte".

Já o proprietário do sétimo quadro, Josef Wiener, um banqueiro de Praga, foi deportado e morreu assassinado em agosto de 1942.

Estes são apenas alguns dos 45 mil objetos restituídos dos 100 mil que foram saqueados durante a guerra.

Acresce que das 2.100 obras de origem desconhecida existentes, apenas 79 foram devolvidas aos seus donos, adiantou o Le Monde, o que realça as dificuldades do processo.

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