Experiência das igrejas para combater pobreza

O presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, sublinhou hoje em Bruxelas o papel fundamental das igrejas e comunidades religiosas no combate à pobreza e exclusão social, 'que não devem ter lugar na Europa do século XXI'.

'As igrejas e as comunidades religiosas são importantes prestadores de serviços sociais nos Estados Membros da União Europeia. Se quisermos combater eficazmente a pobreza, é essencial basearmo-nos na sua longa e vasta experiência', disse o presidente do executivo comunitário.

José Manuel Durão Barroso falava numa conferência de imprensa realizada por ocasião da reunião anual entre os presidentes das instituições europeias e altos representantes das religiões cristã, judaica e muçulmana, assim como das comunidades sikh e hindu, na Europa, este ano dedicada ao combate à pobreza e exclusão social.

'Na Europa, vários milhões de cidadãos vivem no limiar da exclusão social. Uma situação lamentável para uma das regiões mais ricas do mundo, à medida que a Europa recupera da actual crise, quero que o crescimento gerado permita integrar os mais vulneráveis na sociedade', acrescentou.

De acordo com a Comissão, os líderes religiosos de catorze Estados-Membros (França, Reino Unido, Alemanha, Bélgica, Itália, Países Baixos, Grécia, Roménia, Bulgária, Chipre, Hungria, Eslováquia, Polónia e Dinamarca) expressaram o seu apoio à estratégia Europa 2020 delineada por Bruxelas e aos respectivos objectivos sociais e educativos.

O 'fulcro' da Estratégia Europa 2020 - sucessora da Estratégia de Lisboa para o crescimento e emprego - é a promoção do emprego, do crescimento inclusivo e da coesão social, sendo que um dos objectivos acordados a nível da UE é reduzir em pelo menos 20 milhões, até 2020, o número de europeus expostos à pobreza e à exclusão social.

Segundo Bruxelas, os líderes religiosos incentivaram as instituições europeias a reforçarem esta dinâmica, nomeadamente com vista a melhorar o acesso ao mercado de trabalho e a oferecer serviços sociais mais orientados nos Estados-Membros, bem como a garantir a igualdade de oportunidades no acesso à educação e à formação.

Sublinharam também o seu empenho constante em promover a coesão social e reforçar o espírito de solidariedade e de participação cívica entre os europeus, salientando que só será possível superar a crise actual quando as pessoas e a justiça social estiveram no cerne das políticas europeias.

Na sexta edição do encontro inter-religioso - uma iniciativa lançada por Durão Barroso em 2005 -, o presidente da Comissão sublinhou o facto de este ter sido o primeiro realizado sob o Tratado de Lisboa, cujo artigo 17.º prevê que a União mantenha 'um diálogo aberto, transparente e regular' com a religião, as igrejas e as comunidades religiosas.


Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG