Ex-presidente catalão abdica de salário vitalício e torna-se pensionista

O ex-presidente catalão Jordi Pujol, que confessou ter ocultado uma fortuna no estrangeiro sem a declarar, é oficialmente pensionista depois de ter abdicado, há um mês, do salário vitalício que lhe correspondia pelo cargo que ocupou.

Segundo o jornal La Vanguardia, Jordi Pujol vai receber 14 pagamentos mensais de cerca de 2.550 euros, o valor máximo do sistema de pensões espanhol, calculado com base nos anos descontados e valor da cotização.

Pujol decidiu pedir a pensão depois de abdicar do salário anual vitalício de 86.400 euros, como ex-presidente regional, que correspondia a 60% do salário que recebia no cargo.

Recorde-se que no dia 25 de julho passado, Pujol emitiu um comunicado em que admite que a sua família não tinha regularizado uma fortuna no valor de mais de quatro milhões de euros, que alega serem provenientes de uma herança e que estavam depositados em bancos em Andorra.

Nesse dia, Jordi Pujol apresentou uma denúncia contra desconhecidos por terem revelado a existência das contas da família.

A confissão de Pujol causou uma forte convulsão política na Catalunha e no resto de Espanha, com exigências de que o ex-presidente regional renunciasse a todos os privilégios de que gozava em função do cargo que ocupou durante 23 anos.

Há um mês, Pujol garantiu no parlamento regional que nunca foi um político corrupto, insistindo que os quatro milhões de euros que tinha no estrangeiro, e confessou não ter declarado, eram provenientes de uma herança.

"Não fui um político corrupto. Nunca fui um político corrupto. Insisto. Nunca recebi dinheiro a troco de qualquer decisão política ou administrativa", afirmou, intervindo perante a Comissão de Assuntos Institucionais do parlamento regional catalão.

"Tentei abrir portas e estabelecer pontes. Fiz muitas vezes isso e estou satisfeito. Esse é um dos trabalhos de um político. E por esse trabalho nunca recebi nada, exceto o meu salário como presidente", afirmou.

Durante a sua comparência inicial, Pujol disse que o comunicado de 25 de julho respondeu à sua "própria pressão moral".

O ex-presidente catalão disse ainda que as críticas que espera ouvir dos grupos políticos serão duras, "mas não tão duras" como as que faz a si próprio.

"Que tenha dinheiro no estrangeiro não significa que a sua origem seja ilícita", afirmou.

Pujol insistiu na postura do comunicado, recordando a história do pai, "um homem ágil que era rico quando morreu" e que sentiu "admiração e medo" do próprio filho, devido às posições políticas.

Segundo explicou, o pai considerava que o filho se "arriscava demasiado na política" e que o dinheiro que o pai lhe deixou no estrangeiro era para a eventualidade de a família ter que sair do país devido à sua oposição ao regime franquista.

Pujol reiterou que, nos anos 1970 "era um homem com dinheiro" que, em vez de "colecionar arte, fazer mais dinheiro, dar a volta ou mundo ou comprar casas", optou por "construir Catalunha, fazer país".

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