Ex-guarda nazi Demjanjuk tem três netos na Polónia

O ucraniano, actualmente detido na prisão alemã de Stadelheim, forçou uma jovem polaca a ter relações, de que nasceu uma criança, na época em que foi guarda neste campo. Mãe e filho morreram há anos, mas deixaram descendência.

Um dos últimos criminosos de guerra nazis vivos, o ucraniano John Demjanjuk, teve um filho duma jovem polaca na época em que desempenhou funções de guarda no campo de Treblinka, durante a II Guerra Mundial.

Jadwiga Kucharek vivia numa aldeia próxima daquele campo de extermínio quando Demjanjuk a teria forçado a ter relações sexuais. Em 1943, nascia um rapaz, Wladyslaw Buczynski, afirmou ontem uma amiga de Jadwiga, citada pelo diário Gazeta Wyborcza.

Segundo Irena Pylka, a amiga de Jadwiga, esta não teria ainda 16 anos quando conheceu Demjanjuk. Na época, "era muito bonita, com os seus cabelos louros". Desde o início, quando o ucraniano começou a visitar a aldeia, "que ela não lhe passou despercebida".

Conta o jornal polaco, citando Irena, terem sido frequentes os casos de "guardas do campo que tinham relações à força com as raparigas da aldeia". Outros, preferiam "pagar-lhe com ouro" as atenções sexuais.

O Gazeta Wyborcza escreve que Jadwiga e seu filho morreram há alguns anos, mas Buczynski deixou três filhos e oito netos, que vivem na Polónia.

O jornal nota que um teste ao ADN permitiria estabelecer não só a paternidade de Demjanjuk neste caso, como - mais importante - se o ucraniano agora detido é "Ivan, o Terrível", um dos principais torcionários de Treblinka. Isto porque, escreve ainda o mesmo diário, o guarda do campo que teria tido relações com Jadwiga era conhecido como "Ivan, o Terrível".

Demjanjuk foi identificado em 1977 como o torcionário de Treblinka. Por isso, perdeu a nacionalidade americana uma primeira vez, sendo extraditado para Israel. A segunda sucedeu em 2002, quando se iniciou o processo que culminou esta semana na expulsão para a Alemanha (ver caixa).

Julgado e condenado em Israel, acabaria por ser ilibado depois de surgirem provas a sugerirem que "Ivan, o Terrível" seria outra pessoa. Demjanjuk tem argumentado que os sobreviventes dos campos de concentração o confundem com essa outra pessoa, o verdadeiro "Ivan, o Terrível". O facto de sobreviventes o identificarem, mais de 40 anos após a época dos acontecimentos, tem sido usado pelo ucraniano e seus advogados como argumento para provar a falibilidade destes testemunhos. Como sucedeu em Israel. Aqui, Demjanjuk foi ilibado quando surgiram provas de que "Ivan, o Terrível" seria um outro ucraniano, Ivan Marchenko, cujo rasto se perdeu em 1944 na região dos Balcãs.

Ao longo dos anos, Demjanjuk manteve que fora forçado pelos nazis a desempenhar as funções de guarda dos campos. No final da guerra, em 1945, quando se candidatou para ir viver para os Estados Unidos, apresenta-se como "deslocado". Esta era uma categoria reservada aos europeus utilizados como trabalhadores forçados pelo regime nazi e aos prisioneiros dos campos.

Recordavam ontem as agências que terá sido ao invocar a condição de "deslocado" que Demjanjuk obteve facilmente direito de residência nos EUA.

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