Europeus, mas com orgulho espanhol

Lara, Alex, Carlos e Inês têm um projecto de vida e recusam-se a integrar a geração "nem--nem", identificada pelos sociólogos espanhóis como a dos jovens entre os 18 e os 34 anos que não querem "nem trabalhar nem estudar".
Lara del Pino cresceu em Badajoz e hoje vive com o namorado numa casa do séc. XV na zona mais popular de Veneza, algo que uma rapariga espanhola não sonharia ser capaz há 25 anos. "Estar na UE mudou as mentalidades. As novas gerações não estão tão condicionadas como as anteriores." Apesar de não ser "nacionalista", orgulha-se de ser espanhola: "Não podemos queixar-nos, Espanha tem um nível de vida bom, cómodo." A UE permite "viajar de avião ou de carro só com o BI e sem preocupação de câmbios de moeda. Isto abriu muitas portas". E a porta que quer abrir para si é a de ter um trabalho que a realize e de viajar pelo mundo. Depois virá a família.

Carlos Vallés está a acabar um master em Madrid. Esteve dois Verões em acampamentos nos EUA e quer dedicar-se ao mundo financeiro. Aposta primeiro na realização profissional. Casar e ter filhos fica para depois. A adesão de Espanha à UE, diz, significa uma forma "mais exigente de enfrentar o futuro", mas "há que ser mais competitivos". No entanto, não duvida de que se sente "primeiro espanhol e só depois europeu". Vive com os pais e dá aulas de ténis aos fins-de-semana e, quando se emancipar, gostaria de trabalhar em Portugal, Itália ou outro país. Acha que a sua geração está bem preparada devido aos avanços tecnológicos, mas nem por isso é grande adepto da Internet e das redes sociais. "Não tenho tempo."

Inês Alonso, de Tenerife, é uma europessimista. No 4.º ano de Ciência Política, trabalha aos fins-de-semana num ginásio em Madrid. "Quando acabar o curso quero ir para África, trabalhar numa organização internacional", diz, respondendo de imediato que não pensa ter filhos ou casar. "A minha perspectiva é só profissional, não me importo de viver sozinha." O seu modelo de vida, diz, assenta no que lhe ensinaram uns pais "modernos" com "espírito anárquico" e talvez por isso não "tenho interesse na democracia ocidental". Para mim, sublinha, "Espanha estaria melhor fora da UE. Somos espanhóis, não nos sentimos europeus. Não estamos à altura dos desafios económicos e agora até temos de pagar os disparates dos gregos."

Alex Bachiller, nascido e criado perto de Valladolid, está a acabar a pós-graduação em Engenharia de Telecomunicações. Estudou duas vezes fora inglês e francês. "A vantagem da Europa é a de termos acesso a educação de qualidade. É claro que a vida é hoje melhor, mas também acho que as pessoas da minha idade desfrutam menos em relação à geração dos pais." Alex sabe o que são dificuldades. No início do ano esteve no Sara Ocidental, num campo de refugiados, a desenvolver um projecto para a ONG Engenharia Sem Fronteiras. "O meu sonho é trabalhar na cooperação para o desenvolvimento. Candidatei-me a um programa de  seis meses de voluntariado da ONU. Estou à espera de resposta", diz. 

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