Eslovénia assolada pela crise vota no domingo

Em plena crise económica, os eleitores da Eslovénia são convocados no domingo para eleições legislativas antecipadas que se arriscam a prolongar a instabilidade política neste pequeno país da zona euro, no passado a república mais próspera da ex-Jugoslávia.

Neste segundo escrutínio antecipado em menos de três anos, um dos candidatos, o ex-primeiro-ministro conservador Janez Jansa, cumpre uma pena de dois anos de prisão por corrupção, enquanto o favorito nas sondagens, o professor de Direito Miro Cerar, 51 anos, faz a sua estreia na vida política.

O recém-anunciado Partido de Miro Cerar (SMC) que gravita em torno de um homem respeitado pelos eslovenos mas sem experiência política, recolhe entre 28,7% e 37,3% das intenções de voto.

Apesar de também não ter apresentado programa eleitoral, o SMC beneficia da profunda desconfiança dos eslovenos em relação às elites políticas e reúne um grupo de universitários, empresários e algumas personalidades públicas.

"Os partidos existentes não conseguem sair do impasse. Não havia outra solução senão tornarmo-nos ativos e tentar renovar a cena política", referiu em declarações à agência noticiosa AFP este professor da universidade de Ljubljana, um dos especialistas em Direito mais conhecidos do país e que participou na redação da primeira Constituição eslovena após a declaração de independência em 1991.

A primeira-ministra cessante Alenka Bratusek (centro-esquerda) defendeu a convocação urgente do escrutínio, para que seja possível um governo em funções para setembro com a tarefa de prosseguir as impopulares reformas para a redução da dívida, incluindo um vasto plano de privatizações.

No poder desde março de 2013 com o apoio do Partido Social-democrata (SD, 10,25% de votos em 2011) Bratusek demitiu-se em maio após ter sido desautorizada pelo seu partido Eslovénia Positiva (SP), de novo liderado pelo seu fundador, o empresário e presidente da câmara municipal da capital Zoran Jankovic.

Por sua vez, a primeira-ministra cessante, 44 anos, decidiu apresentar-se às eleições na liderança da Nova aliança por Alenka Bratusek, mas estas duas formações desavindas de centro-esquerda surgem agora com poucas hipóteses de entrar no parlamento.

O Partido democrático esloveno (SDS, direita) de Janez Jansa, 55 anos, que fez campanha a partir da sua cela e espera ser absolvido pelo Supremo tribunal, garante a segunda posição (15,1% a 24,5%) segundo as últimas sondagens. Cabeça de lista do partido, já rejeitou qualquer aliança com Miro Cerar e acusou o jurista de "não ter nem programa, nem honra".

O partido dos reformados DESUS (entre 4% e 10%) deverá assim ser decisivo na formação de uma futura coligação.

No entanto, os observadores permanecem incrédulos. "Duvido profundamente que estas eleições assegurem mais estabilidade política", considerou à AFP o politólogo Matevz Tomsic.

A fragilidade do futuro executivo poderá ainda complicar o refinanciamento da Eslovénia. A dívida já triplicou em relação a 2008 ao atingir 70% do PIB em 2013, e após uma urgente recapitalização dos bancos em dezembro que permitiu ao pequeno país balcânico (20.273 quilómetros quadrados, 2,06 milhões de habitantes) evitar o recurso a um plano de resgate europeu.

Apesar do rígido programa de austeridade aplicado pelos executivos de Jansa e Bratusek, as perspetivas de crescimento não são animadoras e a taxa de desemprego já ultrapassa os 13% num país que assinalou em maio os dez anos de adesão à União Europeia.

O novo executivo vai no imediato confrontar-se com diversos projetos de privatização, incluindo o aeroporto de Ljubljana ou a companhia de telecomunicações pública, pretendidas por Bruxelas. Medidas já criticadas por Miro Cerar, que lidera as sondagens.

PCR // JMR

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