Em Heathrow pode escolher se quer ou não ser rastreado

Os passageiros chegados ao aeroporto de Heathrow, em Londres, vindos da África Ocidental vão começar hoje a ser questionados e examinados, como precaução para prevenir a entrada de ébola no país. A medida já foi criticada e parece não estar a ser implementada com muito rigor.

Os primeiros passageiros vindos hoje da África Ocidental chegaram aos portões de Heathrow num "misto de diversão e desilusão," reporta o The Guardian. Muito embora devessem começar hoje os exames aos passageiros chegados das áreas afetadas para verificar a possibilidade de presença do vírus, os interrogados pelo Guardian disseram o contrário.

A passageira Jane Jere afirmou ao jornal não ter sido parada nem interrogada, tendo chegado da Gâmbia. "Não fui parada, ninguém me perguntou nada, ninguém me perguntou de onde vinha," afirmou. "Havia um desinfetante para as mãos que eu usei, e um sinal a dizer 'exame médico' que eu nunca tinha visto."

O jornalista Sorious Samura, acabado de chegar da Libéria, diz que lhe foi perguntado de onde vinha, e que o exame era voluntário. Ele acedeu por curiosidade. No exame, foram-lhe feitas questões sobre se sentira algum dos sintomas da doença, e foi-lhe vista a temperatura.

"Podia ter passado sem ter sido examinado de todo," disse Samura ao Guardian. "Isso é assustador." E acrescentou: "Houve coisas que eu estava a explicar à senhora que me examinou e ela estava claramente a dizer 'Estou a aprender consigo'."

As triagens de ébola devem chegar até ao final da semana ao aeroporto de Gatwick, e também aos terminais do comboio Eurostar que faz a ligação com a França através do túnel.

Jeremy Hunt, secretário da saúde, disse a semana passada na Câmara dos Comuns que 89 por cento das pessoas a chegarem da região da África Ocidental passariam por estes exames e interrogatórios, embora houvesse alguns 10 por cento que chegariam por rotas alternativas.

Para alguns médicos ouvidos pela BBC, o mais importante é dar informação às pessoas chegadas dos países afetados acerca dos sintomas a que devem estar atentos, e o que fazer caso pensem que têm a doença.

Segundo o médico Ron Behrens da London School of Hygiene and Tropical Medicine, as triagens nos aeroportos iam trazer muito pouco benefício comparativamente com a quantidade de pessoas de baixo risco que iam afetar. "Parece não ser uma decisão científica, mas sim uma situação política," disse ao The Telegraph.

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