Dieudonné autorizado a produzir novo espetáculo

O humorista Dieudonné M'bala M'bala, condenado por antissemitismo e proibido de apresentar em França a sua mais recente produção "O Muro", foi autorizado hoje a promover um novo espetáculo em Paris, informou o seu advogado.

"[Os serviços da câmara municipal] indicaram que o espetáculo original 'O Muro' está proibido e registaram que se trata de um novo espetáculo", precisou Jacques Verdier.

Dieudonné, um humorista franco-camaronês, anunciou sábado que renunciava à representação do seu espetáculo 'O Muro', proibido pela justiça francesa por alegações antissemitas, e anunciou outra produção dedicada a África e destinada a limitar a atual polémica.

No entanto, o ministro do Interior francês, Manuel Valls, manifestou em entrevista ao diário Le Parisien o seu "ceticismo" pelos "súbitos remorsos" de Dieudonné, condenado em diversas ocasiões por antissemitismo.

O ministro, que dirigiu a ofensiva governamental contra o humorista, sublinhou no entanto que "caso seja um espetáculo completamente novo e sem propósitos racistas ou antissemitas, sim, pode ter lugar".

"De forma geral, não proibimos uma pessoa, mas um espetáculo caso constitua um grave atentado à dignidade humana", sublinhou.

Segundo uma sondagem BVA para a iTélé-CQFD, 83% dos franceses têm uma má opinião sobre Dieudonné, mas uma ligeira maioria (52%) é contrária à proibição dos espetáculos.

Dieudonné tornou-se conhecido a partir da década de 1990 pelos seus 'sketches' com o humorista judeu Elie Semoun, e de seguida optou por um percurso individual e começou a exprimir de forma insistente as suas posições antissemitas.

De acordo com a agência noticiosa AFP, acabou por se aproximar do partido Frente Nacional (extrema-direita), cujo antigo líder, Jean-Marie Le Pen, é padrinho de um dos seus filhos.

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