Desemprego e banca marcam 1.º 'embate' Rubalcaba-Rajoy

O desemprego e a política para lidar com a banca e o sector financeiro marcaram o primeiro dos três grandes blocos do debate eleitoral que hoje em Madrid colocou frente a frente os líderes do PSOE e do PP.

Alfredo Pérez Rubalcaba e Mariano Rajoy participaram no único debate que acordaram durante a campanha para as eleições de 20 de Novembro, em que além da economia e do emprego se analisaram as políticas sociais e a democracia.

Um debate que começou com uma proposta de Rubalcaba de que a União Europeia atrase em dois anos os planos de ajuste fiscal, de 2013 para 2015, para evitar que a austeridade e o gasto público continuem a travar o crescimento.

Mas foram os números do desemprego que acabaram por ser um dos principais pontos de discórdia, com Rajoy a citar detalhadamente os dados que confirmam que a taxa de desemprego já ultrapassou os 21 por cento.

Em resposta, Rubalcaba acusou Rajoy de "fazer o mesmo debate de sempre", insistindo que o mais importante é identificar e aplicar a solução para o problema.

"Eu facilito-lhe a vida. Sim, temos muitos milhões de desempregados e esse é um grande drama. Mas eles, de mim e de si, não esperam esse tipo de debate, que lhes digamos apenas que estão desempregados. Esperam que lhes digamos o que vamos fazer", considerou Rubalcaba.

E depois avançou com promessas, garantindo que nos próximos dois anos o Estado pagará a Segurança Social às empresas de menos de 50 trabalhadores que assinem um novo contrato laboral indefinido.

Rajoy insistiu na defesa de flexibilidade laboral, acusando Rubalcaba de "estar no século XIX" e rejeitando que tenha planos de retirar o apoio adicional aos desempregados, em vigor.

Igualmente tenso foi o debate em torno da proposta contida no programa do PP sobre a banca, depois de Rubalcaba afirmar que o programa dos conservadores sugere uma intervenção nos activos tóxicos da banca.

"Não vou dar um só euro do dinheiro público à banca, ao contrário do que vocês fizeram", respondeu-lhe Rajoy, afirmando que o que defende é que os activos "bons" sejam postos à venda.

Inicialmente nervoso, Alfredo Pérez Rubalcaba acabou por mostrar rapidamente mais confiança, iniciando os primeiros ataques e afirmando que esperava que Rajoy, "como tem ocorrido até aqui, continuasse calado, sem por uma proposta em cima da mesa".

Uma resposta à introdução inicial de Rajoy que optou pela leitura de um texto preparado - que alguém da sua equipa estava a 'tweetar' praticamente ao mesmo tempo -, onde defendeu uma "mudança para travar a queda da economia e pelo emprego" e que consiga a "recuperação da confiança com o apoio de todos".

O que está em jogo, disse, na sua declaração introdutória, "o que se vota no próximo dia 20 de Novembro, é continuar no mesmo caminho ou mudar de rumo".

Tanto na introdução como em outros pontos de debate, Rajoy recorreu por várias vezes às suas notas e, em muitos momentos, optou mesmo por ler o que trazia preparado.

Na primeira interpelação, Rajoy acabou por enganar-se, chamando Zapatero a Rubalcaba, 'gaffe' da qual saiu a dizer que o seu rival lhe lembra o anterior, "porque seguiram as mesmas políticas".

E depois atacou as políticas socialistas do actual governo - que Rubalcaba integrou até se demitir para se candidatar - que responsabilizou pela situação da economia, das contas públicas e do desemprego.

Rubalcaba, por seu lado, traçou as três linhas gerais do seu programa, nomeadamente que procurará acordos com a oposição e os agentes sociais para combater o desemprego; reorientará a economia para conseguir equilíbrio entre gastos públicos e incentivos e "garantir a protecção social" dos cidadãos.

"Estamos a chegar à anemia, e a anemia não se cura com mais cortes. Espanha é um doente que não se cura emagrecendo mais, mas sim com vitaminas", disse, defendendo um grande plano europeu, "uma espécie de Plan Marshall", para criar emprego e fortalecer a economia europeia.

A nível doméstico defendeu uma transformação do Instituto de Crédito Oficial (ICO) e garantiu que dirá aos bancos "que têm que abrir a torneira do crédito".

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