Demissão do Ministro da Defesa depois de relatório sobre acidente que vitimou Kaczynski

O ministro da Defesa da Polónia demitiu-se na sequência de um relatório que atribui a dirigentes e procedimentos polacos a maior parte da responsabilidade pelo acidente aéreo que vitimou o Presidente Lech Kaczynski e mais 95 pessoas.

"Aceitei hoje a demissão do ministro da Defesa, Bogdan Klich. Ele considerou que a sua permanência no Ministério tornaria mais difícil a aplicação das recomendações" da comissão, afirmou hoje à imprensa o primeiro-ministro polaco, Donald Tusk. O Tupolev TU-154 despenhou-se a 10 de Abril de 2010 na cidade russa de Smolensk. O Presidente, a mulher e 94 destacados responsáveis políticos e militares morreram no acidente. A comissão de inquérito polaca, que apresentou hoje as conclusões, apontou falhas do lado russo, nomeadamente aos controladores aéreos do aeroporto, mas atribuiu as principais causas do acidente a um conjunto de falhas de responsáveis e procedimentos polacos.

Entre outros factores, a comissão concluiu que "o nível de formação da tripulação (militar) constituía uma ameaça à segurança dos voos", a "velocidade era excessiva" e a "altitude demasiado baixa". A comissão criticou igualmente a excessiva lentidão do sistema de alerta em terra, responsável por avisar os pilotos de que voavam a um altitude muito baixa. O primeiro-ministro considerou que a comissão "cumpriu bem o seu papel, definindo precisamente as causas da catástrofe" e deixando de fora "versões extremistas" que referiam "um atentado e pressões sobre a tripulação para aterrar" apesar do nevoeiro.

As conclusões da comissão polaca "contêm o que faltou no relatório do MAK (comissão de inquérito russa), ou seja, os erros e as falhas no aeroporto de Smolensk", disse também. "Não disse nem nunca direi que Bogdan Klich é responsável pela catástrofe", afirmou o primeiro-ministro, acrescentando que "compete à acusação falar de uma responsabilidade potencial". Na terça-feira, o procurador militar Krysztof Parulski indicou que vão ser deduzidas acusações contra militares polacos, mas recusou dar outros pormenores.

Segundo fontes ligadas ao processo citadas pela imprensa polaca, os acusados são responsáveis pelo planeamento do voo presidencial e pela formação dos pilotos militares.

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