Crise, corrupção e UE dominam eleições no Montenegro

Os montenegrinos elegem hoje um novo chefe de Estado, com o presidente cessante Filip Vujanovic que concorre a um terceiro mandato a surgir como favorito, apesar de a oposição ter optado por ser unir em torno de um único candidato.

Vujanovic beneficia do domínio, quase absoluto nas duas últimas décadas, do seu Partido Democrático dos Socialistas (PDS), que continua a prometer a reversão da grave situação económica através de uma rápida adesão desta ex-república jugoslava à União Europeia (UE) e que utiliza o euro como moeda de referência.

Pela primeira vez, a oposição -- que inclui diversas formações de esquerda e de direita -- decidiu unir-se em torno de um único candidato, Miodrag Lekic, líder do Fórum Democrático e um antigo diplomata de carreira.

Na perspetiva de analistas locais citados pela agência noticiosa AFP, a longevidade do PDS e do seu homem incontestado, o primeiro-ministro Milo Djukanovic, explica-se por um controlo "sem partilha" das instituições administrativas e financeiras.

Apesar de a generalidade da população responsabilizar o PDS pelos graves problemas do país, com desataque para o crime organizado e a corrupção endémica no pequeno Estado balcânico, o partido no poder ainda parece exercer um efeito "magnético" sobre a maioria dos seus 680 mil habitantes.

Para o partido do presidente cessante e do primeiro-ministro, o escrutínio de hoje deverá confirmar a vitória nas legislativas de outubro de 2012 e após o simbólico início, em junho do mesmo ano, das negociações oficiais de adesão à UE.

Caso seja eleito, Vujanovic promete um Montenegro "democrático e desenvolvido, onde os cidadãos vivam melhor, um bom vizinho e uma parceria fiável na região e, sobretudo, um Estado integrado em breve na UE e na NATO".

Por sua vez, Lekic promete um combate sem tréguas ao crime organizado e à corrupção. Em 2012, a Comissão Europeia considerou que o Montenegro deveria garantir um "melhor protagonismo" nos domínios do Estado de direito e da luta contra o crime organizado e a corrupção.

Vujanovic e Lekic, os dois únicos candidatos, disputam um mandato de cinco anos na segunda eleição presidencial no Montenegro desde a proclamação da sua independência da Sérvia, em 2006.

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