Conselho de Estado francês proíbe espetáulo de Dieudonné

O Governo francês congratulou-se hoje com "uma vitória para a República" após a confirmação pela mais alta jurisdição administrativa francesa da proibição de um espetáculo do humorista Dieudonné, acusado de racismo e antissemitismo.

"Não podemos tolerar o ódio face ao outro, antissemitismo, o racismo, o negacionismo, não é possível,isso não é a França", reagiu o ministro do Interior francês, Manuel Valls, após o Conselho de Estado ter confirmado a proibição do espetáculo do controverso humorista, a menos de duas horas do seu início na cidade de Nantes (oeste).

"Não podemos aceitar que, na nossa sociedade, exista a mínima complacência face ao antissemitismo, totalmente estranho aos nossos valores e aos nossos princípios", assinalou por seu turno o primeiro-ministro, Jean-Marc Ayrault.

A decisão, recebida com assobios junto à sala de espetáculos segundo referiu a agência noticiosa AFP, anula uma precedente deliberação de uma instância inferior que tinha anulado a proibição decidida por iniciativa do ministério do Interior, apoiado pelo Presidente François Hollande.

Na sua decisão, indica a AFP, o juiz do Conselho de Estado, Bernard Stirn, considerou que foram "considerados a realidade e a gravidade dos riscos de perturbação da ordem pública".

"O conteúdo do espetáculo é conhecido e diria mesmo que estamos numa reavaliação", disse na audiência a representante do ministério do Interior.

Após o anúncio do Conselho de Estado, o Governo francês referiu-se a "uma vitória para a República".

A decisão do Conselho de Estado constitui uma alteração de jurisprudência, e após os tribunais administrativos terem invalidado por 15 vezes nos últimos anos os pedidos de proibição dos espetáculos de Dieudonné.

Em 2010, o próprio Conselho de Estado tinha anulado uma decisão de um presidente camarário do oeste da França, que pretendia impedir o humorista de atuar na sua cidade.

O espetáculo de hoje em Nantes assinalava o início de uma digressão de Dieudonné por França. Outras medidas de proibição já foram avançadas pelas autoridades locais de Tours e de Orléans, onde estão agendados espetáculos para sexta-feira e sábado.

Dieudonné, 47 anos, é há muito uma figura polémica em França por afirmações sarcásticas antissemitas mas a controvérsia aumentou recentemente com a invenção de um gesto, considerado pelos seus críticos muito semelhante à saudação nazi, que implicou a convocação de protestos para locais onde estavam previstas atuações.

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