Conflitos em Belfast pela sexta noite consecutiva

Grupos de irlandeses leais à Coroa britânica atacaram na noite de terça-feira a polícia da Irlanda do Norte com 'cocktails Molotov', foguetes, garrafas e pedras, pela sexta noite consecutiva de violência na capital, Belfast, noticia a AFP.

A polícia foi capaz de restaurar a ordem nos bairros problemáticos da parte leste da cidade sem recorrer a balas de borracha nem canhões de água, como fizera na segunda-feira, não tendo havido notícia de ferimentos.

Os manifestantes pró-britânicos têm vindo para as ruas de Belfast todas as noites desde 03 de dezembro, quando o conselho municipal anunciou que iria deixar de hastear a bandeira britânica todos os dias no edifício da Câmara.

A decisão desencadeou motins no início de dezembro que vieram a dar lugar a protestos maioritariamente pacíficos, mas a violência voltou a ocorrer desde o início deste ano.

Há receios de a violência se repetir hoje, quando a bandeira for hasteada pela primeira vez desde a decisão autárquica, para marcar o nascimento da esposa do Príncipe William, a duquesa de Cambridge.

Os amotinados usaram na segunda-feira martelos e machados para atacar a polícia e os seus veículos, disse o Serviço de Polícia da Irlanda do Norte (PSNI, na sigla em Inglês).

O ministro britânico para a Irlanda do Norte, Theresa Villiers, disse que a província está "refém" dos contestatários e apelou ao fim das suas manifestações, incluindo manifestações pacíficas que têm bloqueado o trânsito durante semanas.

"Não é aceitável que os que dizem que estão a defender a União estejam a fazê-lo atirando tijolos e 'cocktails Molotov' à polícia. É de facto vergonhoso", disse à BBC Rádio.

Acrescentou ainda que os protestos estão a prejudicar a imagem externam da Irlanda do Norte.

A decisão da bandeira elevou as tensões na província britânica entre os lealistas, que querem manter os laços com a Grã-Bretanha e que são principalmente protestantes, e os republicanos católicos que pretendem uma Irlanda unida.

O chefe da polícia norte-irlandesa, Matt Baggott, acusou na segunda-feira o grupo paramilitar protestante Força dos Voluntários do Ulster, que assassinou mais de 500 pessoas durante os 30 anos do conflito na Irlanda do Norte, de fomentar a desordem.

Cerca de três mil pessoas foram mortas em três décadas na Irlanda do Norte, até que um acordo de paz, em 1998, acabou com a maior parte da violência e conduziu à criação de um governo partilhado por protestantes e católicos, apesar de ainda ocorrerem esporadicamente ameaças de bomba e assassínios.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG