Condenação por escravatura em Londres

Mulher que mantinha empregada doméstica a trabalhar em condições de escravatura foi condenada a 9 meses de pena suspensa e a pagar uma indemnização de 29 mil euros

Em 2006 Mwanahamisi Mrwuke deixou a Tanzânia para ir trabalhar no Reino Unido na esperança de estar a partir para uma vida melhor, mas a realidade foi bem diferente daquilo que tinha sonhado.

"Estava à espera de receber um salário e melhorar a minha vida, mas as minhas esperanças foram destruídas, fiquei sem forças e doente", explicou Mrwuke, de 47 anos, durante o julgamento de Saeeda Khan, a mulher que a escravizou durante quatro anos e foi hoje condenada a 9 meses de pena suspensa e a pagar uma indemnização de 25 mil libras (29 mil euros) a Mrwuke.

Mrwuke foi levada da Tanzânia para Londres depois de ter conseguido trabalho no hospital Dar Es Salaam, propriedade de Khan. Foi-lhe prometido um salário e um horário de seis horas diárias como empregada doméstica na casa de Khan, no nordeste de Londres. Foi-lhe ainda prometido que a sua filha, estudante na Tanzânia, receberia uma ajuda monetária mensal.

Numa fase inicial, Mrwuke recebia dez libras (12 euros) por mês, mas passado pouco tempo deixou de receber qualquer remuneração e era muitas vezes obrigada a trabalhar 18 horas diárias, refere a BBC. Para comer, Mrwuke recebia apenas duas fatias de pão por dia. Foi-lhe ainda retirado o passaporte e negado qualquer contacto com a família, mesmo quando os seus pais morreram e uma das filhas casou.

O caso foi descoberto quando a tanzaniana foi a uma consulta médica. O juiz justificou a pena suspensa com o facto de Khan ter já uma idade avançada, dois filhos deficientes e não se encontrar em boas condições de saúde.

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