'Chip' impede roubo de livros no Vaticano

Depois de mais de dez anos de obras e de três anos encerrada ao público, a Biblioteca Apostólica do Vaticano reabre segunda-feira. Com mais espaço, melhor arrumação e com todas as condições de segurança

A Biblioteca Apostólica do Vaticano reabre, após três anos de profundas obras de remodelação, na próxi- ma segunda-feira, dia 20. A intervenção incidiu sobretudo nos sistemas de segurança e na ampliação e melhoramento dos espaços mas, para os leitores, as grandes vantagens têm a ver com a informatização: antes de mais no processo de acesso; mas também na possibilidade de ligar o seu computador à rede da biblioteca através do Wi Fi, na sala de leitura ou até mesmo em casa, com uma password , e assim ser possível requisitar directamente reproduções fotográficas.

Na conferência de imprensa de apresentação, os responsáveis sublinharam o facto de as obras estarem concluídas dentro do prazo e agradeceram a compreensão dos investigadores que tiveram de suspender o seu trabalho durante este período. "Tendo em conta o que tinha de ser feito, o barulho e as técnicas de construção que iam ser usadas, decidimos que a biblioteca teria inevitavelmente de fechar", explicou o cardeal Raffaele Farina, bibliotecário e arquivista da Santa Sé. O acesso à biblioteca é restringido, geralmente, a académicos de pós- -gradução mas, mesmo assim, recebe anualmente quatro a cinco mil investigadores (60% dos quais são italianos). Nenhum dos volumes pode ser requisitado para consulta domiciliária e as regras são rígidas: comida, bebida e canetas não são autorizados na sala de leitura de manuscritos.

A partir da próxima semana, os investigadores vão ter mais e melhores sistemas de comunicação e de transporte dos volumes na biblioteca - por exemplo da caixa-forte à prova de bala para as salas de leitura climatizadas. Dentro da caixa-forte também houve remodelações, como novos sistemas de segurança instalados. Os cerca de 70 mil livros da biblioteca estão agora equipados com um chip que permite a sua localização - prevenindo furtos e desaparecimentos. Um circuito de câmaras de vigilância interna entrou em funcionamento e as cancelas de entrada e saída também foram substituídas para um sistema mais moderno.

A necessidade de melhorar a segurança do edifício ficou clara quando, em 1987, Anthony Menikas, professor universitário em Ohio, rasgou algumas páginas de um manuscrito do século XIV que tinha pertencido a Petrarca. Foi condenado a 14 meses de prisão.

Os trabalhos iniciaram-se em 2007 e foram faseados, de modo a que a biblioteca só tivesse que encerrar neste último período. Recuperação de espaços, adaptação às novas tecnologias, catalogação e rearrumação dos itens, eliminação de estruturas decadentes, climatização e controlo da humidade em todas as alas, sistemas anti-incêndio e de segurança. Dentro de dois anos, a intervenção ficará completa com a abertura do Salão Sistino como segunda sala de consulta de estampas e litografias.

"Um projecto seguido de perto por Bento XVI, que teve sempre, desde os tempos de seminário, um interesse particular pela biblioteca. Agora que vai ser reaberta, já fomos informados pelo próprio Papa que será um dos primeiros a visitá-la", garantiu o cardeal.

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