Catedral em Londres encerra por causa de Indignados

A Catedral de São Paulo em Londres vai fechar indefinidamente por causa do protesto em frente ao edifício, no centro financeiro da cidade, ocupado há uma semana por centenas de tendas e pessoas.

O reitor do templo, Graeme Knowles, invocou hoje questões sanitárias e de segurança para tomar a decisão, que considera "sem precedentes nos tempos modernos".

"Anunciamos isto com um peso no coração mas simplesmente não é possível cumprir o nosso dever diário para com os fiéis, visitantes e peregrinos nas circunstâncias actuais", justificou.

O sacerdote diz ter enviado uma carta aos manifestantes onde pede para reconhecerem os dilemas que enfrentam mas pedindo que "deixem a vizinhança do edifício para que a Catedral possa reabrir o mais depressa possível".

O acampamento junto à Catedral começou no sábado, no âmbito do movimento que mobilizou no mesmo dia milhares de pessoas em mais de 80 países contra a desigualdade económica e social e o poder do sector financeiro.

Depois de terem sido impedidos pela polícia de ocupar a praça junto à Bolsa de Londres, a multidão de mais de um milhar de pessoas deslocou-se alguns metros para as escadarias da igreja e o largo em frente.

No início, Graeme Knowles interviu junto da polícia para evitar a repressão do protesto, o qual saudou por exigir "igualdade e decência financeira", mas hoje queixou-se de "questões práticas e de segurança".

A catedral de São Paulo, projectada pelo arquitecto Christopher Wren no século XVII, é considerada uma atracção turística da capital britânica, sendo a cúpula um dos pontos de referência na paisagem da cidade.

Além de ser a sede da diocese de Londres, foi cenário de vários acontecimentos históricos, incluindo o casamento do príncipe Carlos com a princesa Diana em 1981.

Porém, o número de tendas e pessoas em redor põe em causa o acesso à entrada principal e às saídas de emergência.

Durante os últimos dias, a organização do acampamento tem procurado evitar a propagação do número de tendas, que estima serem cerca de 200, em dois espaços, em frente e ao lado da Catedral.

"Já temos tendas a mais, começamos a pensar em fazer outra ocupação", adiantou um elemento, Shrimi, à agência Lusa.

No local existem uma cozinha, uma tenda de apoio jurídico, uma biblioteca, um ponto de informação para visitantes e jornalistas e oficinas sobre diversos assuntos.

Existem também caixotes do lixo, incluindo para reciclagem, e casas de banho portáteis oferecidas por uma empresa.

Hoje, os organizadores anunciaram esperar "milhares" de pessoas no sábado para comemorar a primeira semana da ocupação, tendo programado eventos especiais.

Para marcar a data, convidam os "londrinos a visitar a ocupação para conhecer membros do movimento que contesta as injustiças sociais e económicas no Reino Unido e em todo o mundo, como parte do movimento global pela democracia real".

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