Carlos o Chacal condenado a prisão perpétua

Ilich Ramirez Sanchez, conhecido como Carlos o Chacal, foi condenado na quinta-feira à noite a prisão perpétua, com 18 anos de segurança, pelo tribunal especial de Paris que o considerou culpado de quatro atentados mortíferos cometidos em França, há quase 30 anos.

Um despacho da agência AFP adianta que a sua advogada, Isabelle Coutant-Peyre, anunciou que apresentaria recurso e classificou o veredicto como "escandaloso".

Vladimir Ramirez, um dos irmãos do venezuelano Carlos, considerou que este estava condenado à partida.

A pena aplicada foi a máxima que o tribunal podia aplicar e fora requerida pelo procurador contra o venezuelano de 62 anos que estava a ser julgado desde 07 de Novembro por quatro atentados em França de que resultaram 11 mortos e cerca de 150 feridos em 1982 e 1983.

Ferido num dos atentados, Alain Poupaux afirmou-se "aliviado" com a medida de segurança " que o fará permanecer na prisão".

A alemã Christa Fröhlich, julgada por alegado envolvimento em apenas um dos atentados, foi absolvida. O Ministério Público tinha pedido 15 anos de prisão para esta mulher de 69 anos, que vive em Hanôver (norte da Alemanha) e não assistiu ao julgamento.

Duas outras penas de prisão perpétua foram aplicadas a dois coacusados de Carlos, julgados à revelia: o alemão Johannes Weinrich, antigo braço direito de Carlos, detido na Alemanha por outros crimes, e o palestiniano Ali Kamal Al Issawi, ainda a monte.

O julgamento de Carlos durou seis semanas. A sua declaração, antes do encerramento dos debates, estendeu-se por cinco horas e o tribunal deliberou durante quatro horas.

Carlos terminou a sua intervenção soluçando ao ler um documento apresentado como "o testamento de Muammar Kadhafi" (ex-presidente líbio) ali apresentado como "um homem que fez mais do que todos os revolucionários, como nós, no mundo".

"Viva a revolução!", "Allah Akbar! (Deus é grande)", proclamou com o punho erguido, no que foi secundado por uma dezena e meia de apoiantes entre a assistência.

Carlos tinha já sido condenado a uma pena de prisão perpétua pelo assassínio de três homens, dois dos quais polícias, em Paris, no ano de 1975, e encontra-se detido em França desde a sua detenção no Sudão, pela polícia francesa, em Agosto de 1994.

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