Cameron ameaça forçar os 28 a votar Juncker

Praticamente isolado mas firme na sua oposição a Jean-Claude Juncker. Assim está o primeiro-ministro britânico, David Cameron, que ameaça forçar os 28 líderes da União Europeia a votarem a nomeação do ex-chefe do Governo luxemburguês para a presidência da Comissão Europeia.

Segundo os media britânicos, hoje citados pela AFP, Cameron vai pedir um adiamento da decisão sobre o nome do sucessor de Durão Barroso durante o Conselho Europeu dos próximos dias 26 e 27 em Bruxelas. O governante britânico considera que Juncker, também ex-presidente do Eurogrupo, é demasiado federalista e um homem do passado para resolver problemas do futuro.

Porém, Juncker, que esteve no poder durante 18 anos no Luxemburgo, é o candidato do Partido Popular Europeu à Comissão. O PPE foi o grupo político mais votado nas eleições europeias de março e, diz o Tratado de Lisboa, na hora de nomear o candidato à presidência da Comissão o Conselho Europeu deve ter em consideração os resultados dessas mesmas eleições.

Se os seus parceiros europeus recusarem um adiamento, Cameron pretende exigir uma votação da nomeação de Juncker, país a país, para que se saiba de forma clara e inequívoca quem apoiou quem. "Os responsáveis britânicos deixaram bem claro... que se houver vontade política para encontrar um consenso, então a decisão sobre o presidente da Comissão pode e deve ser adiada. Mas se os líderes não quiserem considerar nomes alternativos, então poderá haver uma votação", disse uma fonte de Downing Street à Sky News, acrescentando que isso será uma "rutura sem precedentes" em relação à tradicional abordagem do Conselho Europeu. Esta vai no sentido de conseguir encontrar sempre um consenso.

Uma última tentativa será feita esta segunda-feira, quando o presidente permanente do Conselho Europeu, Herman van Rompuy, se encontrar com David Cameron. O responsável tem estado a ouvir vários líderes europeus e, apesar das reticências iniciais ao nome de Juncker, agora até alguns governantes de esquerda, como o Presidente francês François Hollande e o primeiro-ministro italiano Matteo Renzi, apoiam o ex-líder luxemburguês.

O Conselho Europeu, diz o Tratado de Lisboa, nomeia o candidato à presidência da Comissão Europeia, deliberando por maioria qualificada, devendo este ser depois aprovado pelo Parlamento Europeu.

Um cenário de isolamento levou já outra fonte de Downing Street, citada pelo 'Sunday Times', a admitir: "As nossas hipóteses de parar Juncker são as mesmas de ver a Inglaterra ganhar o Mundial de Futebol". A Inglaterra ficou eliminada do campeonato na sexta-feira.

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